Da rede digital à rede real, para fazer do comércio aposta

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Na lógica de dar a pensar e a conhecer o modo como nos fomos adaptando à imposição da ‘televida’, o nosso tema da semana, o Penacova Actual considerou absolutamente imprescindível levar aos leitores a opinião do comércio local.

Foi com esse pretexto que conversámos com a Joana Ferreira, proprietária da loja de vestuário feminino Ameliie Clothes & Cia, em São Pedro de Alva. O que partilhamos é a sensibilidade de quem arriscou superar o desconhecimento e a burocracia.

Como introdução da nossa conversa, diga aos nossos leitores quem é e o que faz…

Chamo-me Joana Ferreira e sou proprietária da loja de vestuário feminino Ameliie Clothes & Cia, em São Pedro de Alva.

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As vendas online revelaram-se uma alternativa significativa neste período de pandemia? As pessoas aderiram bem?

A Ameliie iniciou a sua atividade como loja online. Só em Agosto do ano passado é que abrimos a nossa loja física, porque nos apercebemos que a maioria dos contatos e vendas que fazíamos eram com pessoas do nosso município. A realidade é que neste momento abrir uma loja online requer muito mais investimento do que as pessoas pensam.

Atualmente, as plataformas que são mais usadas, Facebook e Instagram, e que anteriormente não tinham custos associados e nos davam retorno, foram modificadas e o novo algoritmo não nos deixa chegar a tanto público, sem ter de pagar publicidade. Deve registar também a saturação do próprio mercado online. Por isso, quem iniciou esta atividade nos últimos 2 anos tem muito mais dificuldade de crescer!

Algumas destas práticas do período de confinamento ‘vieram para ficar’ ou serão imediatamente substituídas logo que a ‘normalidade’ regresse?

A venda online foi sempre uma realidade da nossa loja e nesta fase aumentámos a nossa procura, mesmo que as vendas, muitas vezes, não tenham sido finalizadas. Ainda assim, começamos a ser procurados por outros clientes, o que para nós é muito bom!

Que medidas lhe parecem importantes para a dinamização do comércio local, num território de baixa densidade populacional como o nosso?

O nosso concelho está, de facto, a precisar de ser bastante dinamizado e abrir um negócio próprio não é exequível para muitos de nós, dado que as burocracias são muitas e o desconhecimento também!

Poderíamos começar por aí.

O município poderia ter um gabinete de esclarecimento e ajuda para quem pretende investir no seu concelho, bem como alguns apoios. O comércio local, já por si, foi “tapado” pelas grandes superfícies comerciais e qualquer apoio para diminuir despesas nos ajuda. Todas as iniciativas são bem vindas, como a que houve no Natal, mas a realidade é que papel e sacos não são o que nos vai ajudar pagar as contas, é uma parte mínima do grande bolo do final do mês!

Incentivos para abrir um negócio dentro do concelho! Incentivar pessoas de fora a terem como opção o nosso Município! Se tiver de escolher em abrir uma loja no meu concelho ou no concelho ao lado que me oferece benefícios e acabo por ter  menos despesas…acho que a escolha será fácil para muitos comerciantes!

Poderia existir uma rede/plataforma que nos permitisse expor os nossos produtos, promoções, campanhas (um mini showroom privé), que exporia as melhores oportunidades diárias ou semanais, fazendo chegar a todo o Município o que os seus comerciantes têm para vender e assim abrangeria todas as áreas comerciais. No fundo, seria uma rede de distribuição para os comerciantes fazerem chegar os seus produtos mais facilmente ao comprador.

Com todas estas restrições, os nossos clientes ficam impossibilitados de virem as nossas lojas e muitas vezes os encargos de envio recaem sobre nós. Também aí se poderia trabalhar em rede.

 

 

 

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