Domingo de Páscoa: o outro lado (poesia)

Hoje é Domingo

Domingo de Páscoa

Dia do Mistério

Da Ressurreição do Senhor

É domingo itinerante

No calendário de acção litúrgica

Aparece mais ou menos hesitante

Passada a Quaresma

A seguir à primeira

Lua cheia

Da Primavera

Equidistante

E fala do amor a Cristo

E deste ao Deus Pai

E da sua beleza

Dignidade e liberdade

E da sua persistência

Em propagar a Fé

Por vezes sem assistência

Está focado também

Na ultrapassagem

Dos problemas da traição

Sem ódios

Só com paz e perdão

O que muitas vezes

Não é mais do que ilusão

Encerra uma quadra festiva

Intensiva

Onde biblicamente

Se envolveram os discípulos de Jesus

Que cumpriu tudo a direito

Como estava nas escrituras

A Seu respeito, dando misericórdia e amor

Mas também

Se envolveu gente esquiva

De Jerusalém

Misturada com gente sã

Seguidora com afã

Do Menino que se fez Homem

Aquelas  figuras perdidas

Vendidas

Andavam por ali a saltitar

Não por devoção

Nem à procura de endereço

Mas sim à procura de quem

Lhes pagaria melhor preço

Basicamente

Como em quase tudo na vida

Infelizmente!

 

Luís País Amante

A pensar nesta quadra bonita que em casa dos Meus Pais, em Penacova, se confundia com a visita Pascal.

Visita Pascal | Pedro Viseu 2015

6 COMENTÁRIOS

  1. Obrigados pelo poema! Bom e bem adequado à quadra que, tristemente, vivemos com pouco envolvimento coletivo.
    Esperemos por melhores dias e mais proximidade à normalidade. Coragem para manter o ritmo de ação.
    Um abraço e o melhor possível dia de Páscoa
    Amândio

  2. Este poema do meu marido Luís parte de factos da fé cristã e chega a imagens que o tornam actualíssimo.
    Aliás, tal como foi apreendido pelos Leitores, aos quais agradeço a dedicação, esperando que tenham passado uma Páscoa Feliz.

  3. Domingo de Páscoa: palavras ditas como sermão
    no monte, falando do sacrifício do sacrifício do
    mais divino e cheio de esperança para despertar em
    algum momento corações empobrecidos.
    Lindo!!!!!!

  4. Caro Colega e amigo, bonito poema! Profundo, tanto no seu lado principal – fé – como cultural. Numa meia centena de linhas, e em verso, resume a luz q a Páscoa constitui, passagens importantes do novo testamento e a forma como se marca esta festa móvel – que, creio, não há muita gente q o saiba.
    Abç amigo,
    José da Cunha de Mello

  5. Ao ler esta poesia não podemos deixar de reparar como, usando notável contenção de palavras e sem pieguismos, o Luís Amante nos consegue falar, com simplicidade mas com precisão, da Páscoa e do seu profundo significado religioso, espiritual e festivo. Está lá tudo!
    Espera-se que possa ser incluída em próximo livro do Luís. para quem vai o meu abraço amigo (à distância, que as coisas ainda estão complicadas para as manifestações físicas de afectos…)

  6. Poema bonito e de sensibilidade,que me toca, não apenas pela época ,mas porque se estende para além dela, hoje pela diferença que todos vivemos nestes tempos difíceis. Obrigado Luís. Com um abraço amigo Elisabete e Zé

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