Jesus, Aquele que não deixa ninguém para trás

Padre Carlos Pinho, com anos de ligação a Penacova como servidor das comunidades paroquiais, relação essa que mantém viva e afetiva, acedeu a colaborar com o Penacova Actual, apresentando-nos uma visão da Páscoa – o nosso tema da semana – a partir da perspetiva da fé católica, mas sem se fechar e esgotar nesse reduto, porque, afinal, é de humanidade que se fala.

Falar de Pascoa não é fácil. Esta palavra está carregada com vários sentidos que podem ajudar a perceber melhor ou a confundir o sentido real. Páscoa quer dizer passagem, já todos sabemos. Recorda a passagem dos Hebreus desde a escravatura do Egito passando pelo mar Vermelho, para a Terra Prometida (a liberdade). Para os cristãos está aqui a raiz da Páscoa, a que Cristo veio dar um novo sentido com a sua vida, morte e ressurreição. Os Judeus celebravam a Páscoa reunindo a família, partilhando uma refeição em que comiam um cordeiro ou cabrito acompanhado com ervas amargas, pão e vinho. Tudo isto era explicado pelo pai de família aos mais novos. Assim estes ficavam integrados na história da sua família para a estimarem. A Ceia que Jesus fez com os seus, foi isto mesmo. Até porque era a última refeição que fazia com eles. Podemos imaginar a carga sentimental deste momento de despedida com tantas lições ligadas a este acontecimento. A vontade sofrida de partir e a vontade de ficar. Agora sabemos que Ele foi e ficou. Passou pela morte mas agora está vivo, mas num plano superior, sobrenatural. Este acontecimento foi real, mas está assente na fé. Nós cristãos acreditamos que Jesus morreu mas ressuscitou e foi visto depois, não apenas por uma ou duas pessoas, mas por várias entre homens e mulheres. É isto que nós festejamos nesta época – a Páscoa. Temos aqui um programa na maneira como encaramos a vida, as nossas relações com os outros, como encaramos o sofrimento, a morte e a vida futura. Quem é que não gosta de prolongar a vida sempre para melhor?

É isto que celebramos na Páscoa. Temos a certeza que a vida difícil que muitas vezes levamos com todos os problemas inerentes vai para a frente porque Deus nos ajuda. Ele enviou à nossa frente a abrir caminho seu Filho, Jesus, que não vai deixar ninguém para trás. E porque nós participamos dos mesmos desejos de Jesus fazemos festa porque Ele está connosco. Queremos a família reunida, não queremos ninguém sozinho, não queremos ninguém desanimado, não queremos violência, exploração, etc.

Alguém me dizia no dia de Páscoa. «Este dia é o mais importante do ano para mim. É a reunião da família, é convívio com os amigos, é a animação nas ruas é a festa geral.» O sino da igreja, da capela ou o foguete dão o pontapé da saída. Ao longe já se ouve a campainha. À frente de cada porta da sala de entrada um tapete de verdura ou flores convida a entrar para beijar o Senhor. Já dentro da sala estão: pai, mãe e filhos a começar pelo mais velho, depois restantes convidados. Dá-se início com saudação, aspersão com água benta da Vigília Pascal sobre os presentes, oração de benção da casa presidida pelo Pároco ou seu representante, e beijo da cruz com os cumprimentos e votos de Santa Páscoa da Comissão da Visita Pascal. Passam todos então à sala ao lado onde está uma mesa com o que de melhor em a casa para oferecer às visitas. Isto repete-se na casa de cada um, porventura na casa dos pais ou avós, tios ou irmãos, porque nos sentimos todos em família.

Sem dúvida este quadro marca profundamente as nossas memórias de crianças, jovens e adultos.

As minhas saudações pascais para todos com votos de melhoras e cuidados para todos.

Carlos Pinho

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