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Ilustres (des)conhecidos: Manuel de Oliveira Cabral (1890-1974)

Oliveira Cabral, um dos aristas mais destacados dos anos 30 e 40, foi uma figura interventiva em Penacova.  Não sendo penacovense, tal como Emídio da Silva, Simões de Castro, Vitorino Nemésio e outros, foi um dos maiores embaixadores das belezas e dos anseios desta terra.

Manuel de Oliveira Cabral nasceu na Covilhã a 15 de Setembro de 1890. Era filho de António de Oliveira Cabral e de Ana da Graça da Costa Tavares. Casou  em 1916, em S. Martinho do Porto, com Estefânia Maria Loureiro de Vasconcelos Leão Cabreira.

Ambos escritores e professores deixaram gravados os seus nomes na capa de muitas obras de carácter didáctico, em especial  manuais escolares e  colectâneas de música e poesia para crianças. Quem frequentou a escola primária nos anos trinta terá muito provavelmente estudado pelo “Bom Amigo”, “Bem-me-quer” e “Cantinho Florido”, livros de leitura para a 1ª, 2ª e 4ª classes. Foi agraciado com o grau de Comendador, da Ordem de Instrução Pública, em 12 de Julho de 1958.

Na capital do norte, onde viveu muitos anos, dirigiu o suplemento infantil de “O Comércio do Porto”. Professor, escritor e pedagogo muito conhecido na época, Oliveira Cabral também deixou marcas indeléveis em Penacova.

Nas décadas de 40/50, a “esta aprazível estância de repouso”  – como escreveu um dia – veio passar, muitos dias das suas férias. Ficaram para a história os saraus culturais que este casal promoveu, nesses tempos, em Penacova.

Além disso, Oliveira Cabral foi um dos grandes impulsionadores do grupo “Os Amigos de Penacova”  que viria a dar origem à Sociedade de Propaganda e Progresso de Penacova.

Também nos jornais da região, Notícias de Penacova (de que era colaborador)  e Correio de Coimbra, ficaram registados muitos dos seus escritos. No Natal de 1960 publicou uma poesia no NP, com ilustração de  Guida Ottolini, neta de Roque Gameiro. No mesmo jornal, a  30 de Agosto de 1952, sob o título “Parabéns bom povo de Penacova”, felicitou os penacovenses, na pessoa do presidente da Câmara, Francisco Martins, pela criação de uma Biblioteca Popular, à qual prometia oferecer algumas obras, sugerindo mesmo a  criação de uma secção infantil.

Em Outubro de 1950, Oliveira Cabral havia alertado para “o estado lastimoso” em que se encontrava  a muralha de suporte em frente da Pensão Avenida” (onde geralmente se hospedava) e para a poeira que os carros levantavam quando atravessavam a vila, sugerindo o asfaltamento da estrada até à Casa do Repouso.

Foi um dos principais defensores e proponente da atribuição do nome do benemérito Abel Rodrigues da Costa a uma artéria da vila.

Publicou uma “pagela artística”,  intitulada “Algumas Palavras sobre Penacova”. que  abre com uma vista geral de Penacova, tirada a partir da zona do Penedo do Castro, aparecendo depois uma gravura sobre o quadro de Eugénio Moreira “A Ferreirinha ou a Gioconda de Penacova” enquadrada por um texto do  escritor Antero de Figueiredo nas suas “Jornadas em Portugal”.

É dele, igualmente,  a letra de uma canção, “A Voz do Mondego”, com música de sua mulher Estefânia Cabreira.  A letra e partitura da mesma encontra-se publicada no “Notícias de Penacova” (1947).

Ainda, na referida pagela, Oliveira Cabral publica uma poesia de sua autoria, inspirada num trecho de Raul Proença e intitulada “Penacova -a – Linda” ao mesmo tempo que deu publicidade a esta canção no “Comércio do Porto” de 1947, na rubrica “Belezas de Portugal”. Note-se que esta foi gravada em disco, para piano e voz, por Mário Delgado e Júlio Guimarães, o primeiro do Conservatório do Porto e o segundo, cantor da Emissora Nacional. Também foi gravada em disco só para piano, por Mário Delgado; e outro para orquestra, sob regência de Resende Dias, maestro do Emissor Regional do Norte.

Manuel de Oliveira Cabral faleceu em S. Mamede de Infesta, em 30 de Outubro de 1974.

David Gonçalves de Almeida

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