Penacovenses pelo país e pelo mundo: Teresa Martins (Guida) – Uma Penacovense de alma e coração

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O meu nome é Teresa Martins ou, para a maioria dos meus conterrâneos, simplesmente Guida.

Natural da Sé Nova, Coimbra, porém, foi por terras de Penacova, mais propriamente na aldeia de Castinçal – São Pedro de Alva, que vivi durante toda a minha infância, adolescência e início da vida adulta e para onde, nos dias de hoje, ainda fujo quando quero encontrar alguma tranquilidade.

Se em tempos me perguntassem se alguma vez deixaria a minha terra natal, a resposta seria NÃO !

Comecei a trabalhar cedo. Trabalho esse que fui conciliando com os estudos. Ser independente era talvez a minha maior meta. Na verdade, nunca me faltou nada, porém, a morte prematura e de forma abrupta do meu pai fez com que me “fizesse à vida” mais cedo. Não por imposição de terceiros, mas por, inconscientemente, minha.

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Ingressei numa multinacional, a Makro de Coimbra, que foi onde não só despertei como ampliei a minha consciência a nível profissional. A janela de oportunidades que uma empresa multinacional oferece é enorme. O intercâmbio regular de quadros superiores, com outras visões, experiências, ambições, e o contacto directo com estes, acaba por nos contagiar, pelo que diante deste cenário ambicionar ser apenas independente mostrou-se exíguo.

Entre um sem número de profissionais de excelência com quem me cruzei, houve um em particular que viu em mim potencial para crescer, crescimento esse que passaria por uma mudança de cidade. Trocar Coimbra por Lisboa, o grande centro das oportunidades.

Literalmente, tudo aconteceu de um dia para o outro. Sem tempo para pensar, apenas vim para a sede da Makro Portugal, em Lisboa, a 14 de Fevereiro de 2003 e sem saber ao certo para o quê.

As dificuldades vieram depois. Um dos efeitos mais inesperados de mudar, pelo menos para mim, foi a perda da noção de pertencer a um lugar. Quase que uma perda de parte de mim, a juntar à solidão que contrastava com a multidão e o emaranhado de ruas cheias. Não havia qualquer vinculo emocional com a nova cidade, os amigos e família ficaram para trás,  apenas um vazio estranho. Acho que não se sentir totalmente completo é o preço que, quem se aventura a partir, tem que pagar.

Sem vergonha assumo, enfrentei uma dura depressão com crises de ansiedade e pânico que me levaram várias vezes ao hospital. Como dar parte de fraca não faz parte do ADN de uma Beirã, foi um sofrimento solitário em que só os muito mas mesmo muito próximos sabiam. (Esta situação levou-me, anos mais tarde, a uma busca incessante de respostas e foi no desenvolvimento pessoal, na Programação Neurolinguística, e curso de (auto) desenvolvimento e (auto) liderança que encontrei algum equilibro.) Ainda assim, profissionalmente, tudo decorria como previsto.

Um ano depois de chegar a Lisboa estava já a organizar um mega evento na FIL com 10 000m2, a Makro Expo, evento este inserido na HOREXPO (Salão Internacional da Alimentação, Hotelaria e Tecnologia para a Indústria Alimentar). Feito que repeti dois anos mais tarde. Porém, o meu percurso desenrolou-se maioritariamente no departamento de Compras de produtos não alimentares da Makro Portugal, onde desempenhei várias funções. Ao todo, foram 15 anos de muita aprendizagem e dedicação a esta empresa. Saí quando percebi que não havia mais espaço para crescer, pelo menos a nível Nacional. (Se vir para Lisboa foi emocionalmente caro, sair do país estava fora de questão.)

Abracei outro projecto como Gestora Comercial num distribuidor da Samsung e por fim veio a vontade de fazer algo por conta própria. Na altura estava sozinha com duas crianças, enquanto o meu marido rumara a Moçambique para liderar um projecto na área da segurança electrónica, e foi quando em 2014 o ramo imobiliário e a oportunidade de ser empreendedora se cruzou no meu caminho.

Actualmente lidero uma equipa de 17 pessoas no Grupo Vantagem, franchisado da Remax, que conta com 23 agências abertas entre o Porto e Cascais, reconhecido internacionalmente pelo 5º ano consecutivo como o maior grupo imobiliário do mundo, nº 1 em transacções e facturação.

O que se leva de Penacova | São Pedro de Alva para o Mundo?

Muito. No sentido em que, o que somos em adulto é um reflexo das nossas experiências enquanto criança. E as minhas experiências foram tão ricas quanto duras que obviamente adicionaram elementos extra à minha identidade e personalidade. Tenho um pouco de cada um da minha terra em resultado da vida em comunidade, característica das aldeias.

A perseverança, a humildade, a união, a partilha, a entreajuda, o senso de trabalho e responsabilidade, a simplicidade, entre muitas outras, são características da nossa gente que eu também carrego.

Trouxe igualmente um sem número de histórias que adoro partilhar com muitos dos que comigo se cruzam. Desde os nossos costumes e tradições, à vida do campo,  à riqueza do património natural, passando pela gastronomia, não me faltam temas para aguçar a curiosidade e fazer com que tenham vontade de conhecer o nosso cantinho.

O que se leva do mundo para Penacova | São Pedro de Alva?

Como qualquer capital, Lisboa é uma cidade eminentemente cosmopolita que acolhe como residentes pessoas oriundas de diferentes partes do mundo e do País. Uma cidade que não dorme. Rica em oferta cultural, comercial, desportiva, de lazer e entretenimento, palco de importantes eventos internacionais, com costumes e tradições próprias.

Sei que nada disto posso deslocalizar mas cabe às entidades locais modelarem o que for possível modelar e dinamizar um concelho que tem um potencial enorme por explorar. Eu limito-me a Levar sobretudo ideias, outras perspectivas, curiosidades, outras formas de lidar com problemas e de pensar.

Sinto-me uma afortunada por conhecer e experienciar duas realidades tão distintas, como a vida no campo e a vida numa capital. Sem falar num sem numero de viagens que já realizei e me puseram em contacto com outras culturas.

Pode ser que um dia eu possa ter uma participação mais activa no nosso concelho e que todas estas experiências tenham alguma praticabilidade.

Que expectativas tens para Penacova?

Para Penacova e particularmente para a minha freguesia, São Pedro de Alva, tenho imensas expectativas. Não por ser a minha, mas porque durante muitos anos sofremos com o desinvestimento e desinteresse por parte da Câmara Municipal de Penacova. Não sei se pela distância, estratégia, ou outros interesses.

Felizmente nos últimos anos e graças às novas gerações que assumiram a junta de freguesia, houve algum progresso. Mas o caminho faz-se caminhando e ainda há muito pela frente.

Noto que tem sido feita uma grande aposta em infraestruturas voltadas para o turismo contudo sinto um défice de promoção das mesmas bem como do concelho em geral. Não fossem os Penacovenses pelo mundo que se orgulham da sua terra e não se cansam de a promover, para muitos Portugueses seria desconhecida e para outros apenas um ponto de paragem no IP3 para comer uma sandes de leitão no Bar 21.

A nível cultural e de grandes eventos de massas que viriam sem duvida enriquecer a região e dinamizar o comércio local, a oferta é praticamente nula. Também aqui, mais uma vez, tenho que enaltecer os últimos mandatos da Junta de Freguesia de São Pedro de Alva e São Paio do Mondego, pela iniciativa da EXPOALVA. O Primeiro passo foi dado!! Agora é ousar e inovar. Até o Alentejo tem um festival de Verão que atrai milhares e milhares de pessoas. E nós temos capacidade para algo do género. Talvez sejamos a única freguesia do Concelho que o tem.

Outro ponto não menos importante é a falta de oportunidades de emprego que leva muitos jovens a abandonarem o concelho. Há um fraco ou inexistente investimento na captação de empresas geradoras de emprego. E os poucos parques industriais que existem estão localizados (mais uma vez) no Baixo Concelho  e mesmo estes resumem-se a meia dúzia de empresas, na sua maioria, familiares, sem grande margem para quem quer progredir na carreira.

Como referi a fraca aposta no alto concelho não é de agora. Por isso, quando me perguntam:  “ O que farias se te saísse o Euromilhões?” A resposta é: Algumas excentricidades claro e sem qualquer dúvida Investia em São Pedro de Alva com 3 propósitos: Criar riqueza para a freguesia, atrair turistas e gerar emprego para que mais ninguém tivesse que sair de lá. E se possível, fazer com que muitos, que tal como eu rumaram a outras paragens, regressassem.

Teresa Martins | Guida – Uma Penacovense de alma e coração

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1 COMENTÁRIO

  1. Não conheço a Guida, mas é: beirã de gema; apaixonada por Penacova; donde saiu para crescer e onde pensaria investir!
    Também tem ideias para o futuro…
    Ao ler a sua entrevista pensei cá para mim onde é que já tinha sentido algo parecido, quiçá um pouquinho mais duro.
    E encontrei a resposta dentro de mim e da minha experiência de vida.
    É interessante que esta rubrica do PenacovaActual nos dê a conhecer estas experiências enriquecedoras.
    À Guida só digo: nunca deixe de perseguir os sonhos!
    E muitas felicidades.

    Luís Pais Amante
    (Em e-mail emprestado)

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