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Ainda no contexto da ‘Prevenção dos maus tratos infantis’, o contributo da Santa Casa da Misericórdia, como modelo de quem cuida

Penacova Actual: Apresente-nos, a ‘traço largo’ a instituição, no tocante à oferta de cuidados com a infância e à frequência da mesma.

Santa Casa da Misericórdia: A Santa Casa da Misericórdia de Penacova que desde o início da sua criação esteve mais voltada para a área da saúde e da 3ª Idade, alargou em 2003 o seu âmbito de ação, passando a dar resposta também a crianças e jovens, com a criação de creche, jardim-de-infância e ATL.

Em 2006, foram encerradas as respostas de jardim-de-infância e ATL devido à reorganização e a reformas no sistema educativo na educação pré-escolar e no 1º ciclo do ensino básico.

Em 2011, a creche abriu novas instalações aumentando o número de acordos de cooperação.

Atualmente a creche funciona em instalações de qualidade, com uma equipa qualificada e com acordos de cooperação para 30 crianças.

PA: No caso concreto do nosso território, o espaço da creche é visto como um espaço de ‘guarda segura’ das crianças, como lugar educativo ou ambos? Quais as maiores dificuldades neste campo?

SCMP: Em Portugal, as respostas para as crianças nos primeiros anos de vida, não faz parte do sistema educativo e é assegurada maioritariamente pelas IPSS com acordos de cooperação e por entidades privadas. Surgiram, precisamente pelas mãos das Misericórdias, com um carácter marcantemente assistencial que acompanhou desde o início o atendimento das crianças dos 0 aos 3 anos de idade e idades subsequentes.

Ao longo dos tempos, as respostas que o Estado procura providenciar para as crianças dessa faixa etária, sejam de cariz social, sejam de cariz educativo, evoluem com as sociedades, com o conhecimento e com as necessidades emergentes que, quer as famílias, quer as comunidades vão manifestando.

Presentemente, no nosso território, podemos afirmar que as creches são uma resposta simultaneamente educativa e social que acolhe crianças entre os 4 meses e os 3 anos de idade.

Talvez em algumas situações possamos afirmar que a creche é ainda vista socialmente como uma resposta quando não há outras alternativas, privilegiando-se para os 3 primeiros anos de vida a possibilidade de ficar em casa com um familiar. No entanto, há um ditado africano que se aplica na perfeição “para educar uma criança é precisa toda uma aldeia” que representa bem a necessidade de enquadrarmos a educação das crianças pequenas numa comunidade. A creche dos nossos dias pode constituir-se como a “aldeia”.

PA: Genericamente, no nosso Concelho, o paradigma da brincadeira era a “rua”. Ao longo do tempo, pelos mais variados motivos, esta realidade tem vindo a ser alterada. Sentem as nossas crianças seguras, no contexto da comunidade que habitam? Que problemas? O que será preciso fazer mais?

SCMP: nossa infância é profundamente marcada pelas experiências de contacto com a natureza, efetuadas em companhia dos pais, dos amigos, e também sozinhos. Sair de casa e desfrutar do ar livre é uma atividade importante na nossa formação motora, psicológica e social. As memórias desses tempos de infância estão repletas de: subir às árvores, escorregar, enrolar-se na relva, jogar à bola, andar de patins, skates, mexer e chapinhar na água (como é bom sujar-se), apanhar bichos da conta, tocar em pedras e atirá-las ao rio, pauzinhos, arbustos, correr, saltar, lançar, dançar, equilibrar-se, etc.

As crianças de hoje também brincam, mas brincam de forma diferente. O aparecimento de novas tecnologias, a institucionalização dos tempos livres, a falta de contacto com a natureza, a inexistência de espaço livre para brincar, a diminuição de autonomia de mobilidade, a densidade de tráfego, são alguns dos constrangimentos atuais que impedem as crianças de terem acesso ao jogo livre.

Por vezes, na creche, temos a sensação que as crianças estão a ser vítimas de um inconsciente modelo de organização de vida social. O equilíbrio entre 8 horas para dormir, 8 horas de trabalho e 8 horas de descanso e lazer não está a ser respeitado. Pais cansados e em stress, por excesso de número de horas de trabalho, e crianças com agendas excessivas de tempo escolar e extraescolar, não permite pensar na existência de tempo disponível para uma relação equilibrada e saudável do tempo para brincar.

Por isso, apelamos muitas vezes aos pais que não se esqueçam que as crianças são a base em que assenta o futuro do mundo. Ao longo da história e em todas as culturas, crianças sempre brincaram. E não é uma perda de tempo, mas sim, uma atividade fundamental para o desenvolvimento das capacidades potenciais de todas as crianças.

PA: Como reinventaram o vosso trabalho com as crianças em contexto pandémico? Partilham com as nossas famílias algumas eventuais práticas.

SCMP: Neste contexto de Pandemia, a creche também se reinventou, nomeadamente no período de encerramento, e tentou estabelecer um contacto de proximidade com as crianças e famílias que de alguma forma se encontravam confinadas entre 4 paredes. Recorrendo às novas tecnologias e aproveitando tudo o que está disponível e ao nosso alcance, a equipa da creche permaneceu em contacto direto com as famílias com o principal objetivo de continuar a proporcionar as crianças o contacto com os adultos de referência da creche, assim, quando retomássemos as nossas atividades, o impacto seria minimizado, uma vez que os afetos são a principal ferramenta de trabalho que alimenta o nosso dia-a-dia. Para além disso, foram enviadas atividades para fazer em família e que iriam ajudar a desenvolver as suas competências. Bem como, total disponibilidade para todas as questões e dificuldades que iriam surgindo no que diz respeito ao crescimento e desenvolvimento como por exemplo o desfralde.

Neste momento, e apesar da abertura das creches, a nossa realidade é muito diferente daquilo que já foi um dia, no entanto, os afetos mantém-se, os carinhos, a atenção e tudo aquilo que pudermos continuar a fazer, faremos, para que as nossas crianças sejam acima tudo, FELIZES!

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