Vinharia do Mondego: Baga em pé franco

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Boas notícias para o vinho da Bairrada! Recentemente o Ex Libris de Luís Pato, o Quinta do Ribeirinho, colheita de 2015, arrecadou a pontuação de 97 pontos pela Robert Parker Wine Advocate, um feito inédito na região. A pontuação foi dada por Mark Squires, crítico desta publicação dedicado aos vinhos portugueses. Pontuações tão altas estão destinadas normalmente aos vinhos durienses, em especial aos Portos Vintage.

Luís Pato sempre foi um visionário e desde muito cedo percebeu que poderia criar um vinho de classe mundial plantando a casta certa no solo certo. Aproveitando o terroir bairradino, decidiu plantar uma vinha em 1988 apenas com a casta rainha da região, a Baga. Para tirar o maior proveito da mesma, decidiu plantá-la em pé franco.

Para se perceber o que este vinho tem de tão especial é necessário entender este conceito.

Na segunda metade do séc. XIX, a produção de vinho na Europa foi devastada pela filoxera. Trata-se de um inseto voador que ataca a raiz da videira, acabando esta por, inevitavelmente, morrer. Não havendo maneira de combater o inseto, descobriu-se mais tarde que este não ataca a raiz das videiras americanas (as mesmas que produzem o vinho morangueiro). A solução passou por enxertar as variedades europeias nas cepas americanas, que são também conhecidas como porta-enxerto ou bacelo, sendo hoje em dia prática comum em todo o mundo, salvo algumas exceções.

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Uma dessas exceções, como é este o caso (e também o da região de Colares, em Sintra) são os solos arenosos, em que é possível plantar as variedades europeias diretamente, sem necessidade de porta enxerto, dado que o inseto não consegue causar danos nestas condições.

Posto isto, Luís Pato decidiu criar um vinho que revelasse como eram os vinhos antes da chegada da filoxera à Europa. Cada videira produz apenas um cacho! Isto deve-se não só à menor produção da videira não enxertada, mas também às várias mondas que são realizadas com o intuito de obter cachos de alta qualidade, para poder assim criar um vinho encorpado, com taninos refinados e para que a acidez característica da casta e da região seja mais harmoniosa. Este conjunto de fatores permite que este vinho tenha uma longevidade incrível, sendo que conservado em condições ideais, poderá ser apreciado daqui a várias décadas.

O Quinta do Ribeirinho 2015 fermentou em tonel, e estagiou em barricas novas de carvalho francês, de 500 litros, durante 24 meses.

Ricardo Ferreira, escanção, natural de Penacova, assina a rubrica sobre vinhos do Penacova Actual

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