As palavras que descem da Serra: Deus Ajude a Criança, de Toni Morrison

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Hoje as palavras a sair da Serra foram escritas por uma mulher negra que foi laureada com o Nobel em 1993. O seu nome é Toni Morrison e foi a primeira negra a ser galardoada. Num tempo em que tanto se fala de conflitos raciais e em discriminação as palavras de Morrison falam-nos disso a partir de dentro. A sua obra está cheia de mulheres negras fortes, fala de conflito racial latente, de sentimentos antagónicos, dos anseios e experiências da população afro-americana. É uma escrita dura, com personagens vivíssimas extremamente bem construídas. Muitos dos cenários são os que nos chegam via noticiário em horário nobre. Hoje deixo-vos com Deus Ajude a Criança.

Toni Morrison

Deus Ajude a Criança

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“Queen tem razão, pensou ele. Excluindo o Adam, não sei nada a respeito de amor. O Adam não tinha defeitos, era inocente, puro, fácil de amar. Tivesse ele vivido, crescido para possuir imperfeições, falhas humanas como o engano, a idiotice ou a ignorância, seria tão fácil de adorar ou até mesmo digno de adoração? Que espécie de amor requer um anjo e unicamente um anjo para se comprometer?”

Sinopse

O drama chega-nos em discurso directo, sendo cada capitulo contado pelo personagem que mais tenha a dizer. As crianças e as diferentes violência sobre elas exercidas é o pano de fundo de toda a trama, acabando por influenciar os destinos de todos os personagens.

Swetness é uma negra quase branca, neta de uma negra que passou por branca e que desde então nunca mais falou com as filhas apenas para não perder o “privilégio da brancura”. Swetness dá à luz Lula Ann, que contra todas as expectativas é de uma negrura profunda. Por ser tão negra deixa a mãe negra  quase branca em maus lençóis com o pai negro quase branco que nunca aceita essa negrura e vai tratar da vida. Swetness tem de educar sozinha Lula Ann e trata-a com dureza, dobra-lhe a cerviz bem dobradinha para que nunca levante olhos a ninguém, para que se torne invisível. Quase que foi bem sucedida…

Lula Ann é uma negra típica que um dia se cansa de o ser e torna-se Bride. Bride é uma beleza negra azeviche, que se veste sempre e apenas de branco, extremamente bem sucedida no mundo da cosmética e da beleza feminina. Rica e linda de morrer os olhares seguem-na com adoração, a sua negrura que custou o casamento à sua mãe deixou de ser um fardo para se tornar um trunfo.

Booker é um homem que, ainda menino, ficou perdido no mundo quando o seu irmão foi assassinado por um pedófilo.

Sofia é uma professora que ficou com a vida destruída quando a pequena Lula Ann testemunhou contra ela num caso de abuso de crianças.

A vida destas e de outras personagens via encontrar-se e cruzar-se criando um texto soberbo e uma história envolvente que nos deixará a pensar sobre  aspectos muito diversos da vida como por exemplo o preconceito, o medo, a comunicação entre pais e filhos, a aceitação social e os valores que lhe estão subjacentes.

Boa semana com livros!!!

Anabela Bragança

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1 COMENTÁRIO

  1. Deve ser um livro poderoso no que diz respeito aos preconceitos que ainda vivemos actualmente.
    Obrigada mais uma vez.
    A sinopse está óptima ,vou tentar comprar o livro.
    Um grande ABRAÇO.

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