Ilustres (des)conhecidos: Daniel da Silva (1874-1937)

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Foto gentilmente cedida pelo Professor Doutor Luís Reis Torgal

Daniel da Silva nasceu em Penacova no dia 12 de Abril de 1874. Filho de António da Silva, barbeiro, natural da freguesia de Figueira de Lorvão, e de Emília de Nossa Senhora, natural da Riba de Baixo, freguesia de Penacova.

Baptizado a 30 de Abril daquele ano pelo Padre Francisco de Paula Queiroz teve como padrinhos os futuros sogros, Daniel Pessoa Guedes, que foi Escrivão da Câmara Municipal, e sua mulher Elvira Adelaide Pinto Guedes.

Casou em 1896 com Maria Beatriz Pinto Guedes. Foram testemunhas do acto João Maria da Rocha Calisto, Juiz de Direito, da Anadia, e Basílio Augusto Xavier de Andrade, natural de Penacova e, à data, residente em Coimbra.

Daniel da Silva estudou Direito em Coimbra. O seu nome consta, enquanto aluno do 4º ano, no Boletim da Universidade referente ao ano lectivo 1893/94.

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Com 27 anos, em 1901, foi eleito para a Vereação da Câmara, pelo Partido Progressista assumindo a Presidência da mesma. Refere a imprensa local: “De entre os cavalheiros eleitos para Penacova, destaca-se pela posição social, inteligência e ilustração, o nosso amigo Dr. Daniel Silva. Está, pois, naturalmente indicado para assumir a presidência da Câmara.”

Em 1902, nessa qualidade, propôs a atribuição da maioria dos nomes que ainda hoje enformam a toponímia penacovense às principais ruas de Penacova e S. Pedro de Alva. É também conhecida a criação, por sua iniciativa, de uma biblioteca pública, podendo ser considerado o pioneiro da actual Biblioteca Municipal.

Até à Implantação da República manteve-se ligado ao grupo de monárquicos de Penacova, participando inclusivamente numa manifestação que percorreu, a 29 de Agosto de 1910, as ruas da vila festejando a vitória em todas as mesas eleitorais do concelho para as eleições legislativas que haviam tido lugar na véspera.

Curiosamente, de todo aquele grupo, Daniel Silva é o único que adere de imediato à República, subscrevendo o Auto de Aclamação. Logo no 1º de Dezembro de 1910 profere um discurso de exaltação republicana na cerimónia de Inauguração do Centro Democrático António José de Almeida, na Avenida 5 de Outubro.

Exerceu funções de Conservador na Comarca de Penacova e, em 1913, é referido no Almanaque Republicano como sendo um dos três advogados de Penacova, além de José Albino Ferreira e Alfredo Gil.

Em 1926 volta a exercer funções autárquicas sucedendo a José Barbosa dos Santos Leite no cargo de Administrador Concelhio. Ocupa esse lugar entre Dezembro desse ano e Maio de 1927. Passados dois meses, as Câmaras Municipais foram dissolvidas e substituídas por Comissões Administrativas. Presidirá, inicialmente,  a essa Comissão o Dr. José Albino Ferreira, mas Daniel da Silva acabará por ser presidir à mesma.

Em 1932 reassume as funções de Juiz do Julgado Municipal de Penacova.

No início da década de trinta, Daniel da Silva sucedeu a Luís Duarte Sereno como Provedor da Misericórdia. É nesse papel que discursa na Inauguração do Hospital daquela Instituição, em 29 de Julho de 1934, e também na tomada de posse da Comissão Concelhia da União Nacional.

Faleceu em Penacova no dia 25 de Maio de 1937.

David Gonçalves de Almeida

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