Viver bem com o Envelhecimento: Como Cuidar dos Pais Idosos…Sem Chegar à Exaustão

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Rosário Pimentel – Mestre em Gerontologia Social

É fácil encontrar quem aponte o dedo às famílias que colocam os seus idosos em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, mas sabemos que quem opta e pode tratar os seus familiares idosos no domicílio, não tem tarefa fácil. Isto porque não é acessível encontrar pessoas de confiança que ajudem, colaborem e trabalhem ( família, amigos, vizinhos, prestadores de cuidados formais entre outros) e quando se trata da família, por vezes, numerosa, acontece muito que a carga é lançada em cima de um familiar, pois os outros não estão dispostos ou não podem.

Neste contexto, apresento algumas orientações para as famílias que optam por manter os seus mais velhos no seu meio ambiente, na sua casa ou nas suas casas, e não cheguem à exaustão, porque cuidar de um pai/ mãe idoso pode requerer um tremendo tributo físico, emocional, espiritual e financeiro, não só por parte de quem presta o apoio mas também pelos elementos do seu agregado familiar.

A primeira orientação  é: Comece com uma reunião de família. Muitas dessas reuniões de família são feitas pela primeira vez quando têm de tomar uma decisão iminente, por exemplo, deveremos pôr a mãe numa ERPI? Para que o apoio aos pais idosos seja uma experiência salutar em vez de desgastante  para a sua família, convoque uma reunião com as principais pessoas envolvidas muito antes de terem de tomar uma decisão tão drástica.

As pessoas que tomam parte da reunião devem incluir os pais idosos, irmãos, e outras pessoas de família mais chegadas. Durante a reunião, tente combinar quantas pessoas poderão dar assistência  e a que nível. Se existirem implicações financeiras, entre num acordo sobre como partilhar as despesas. Um ponto chave nessa reunião será saber o que o pai/ mãe idoso pensa. Desejará viver sozinho, partilhar a casa com alguém ou ir para a ERPI ? Não presuma que um familiar desejará um lugar na sua casa.

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É crucial “ reunir”, mas não é tarefa fácil como não é fácil chegar a um consenso, pois os intervenientes pensam e sentem diferente. Também não é comum pedir-se a opinião da pessoa idosa, quando ainda tem lucidez suficiente para o fazer e é possível comunicar com ela, uma vez que a sua opinião pode aumentar o desacordo e dificultar o consenso.

Uma segunda orientação é: Não faças promessa que não poderá cumprir. E dou o seguinte exemplo: Quando a mãe da Constança, de 74 anos, começou a mostrar preocupação sobre o seu futuro, a Constança respondeu-lhe prontamente: “ – Mãe não se preocupe pensando que vai para a ERPI, porque eu vou sempre tomar conta de si.” Todavia, quando a saúde da sua mãe começou a declinar, tornou-se óbvio que ela iria precisar de cuidados 24 h por dia. Como trabalhava a tempo inteiro, a Constança não pôde cuidar da sua mãe. Com relutância e grande sentimento de culpa, procurou uma boa Instituição para cuidar da mãe. Embora a ERPI fosse excelente, a mãe da Constança não queria ir e a Constança sentiu que a estava a abandonar. A mãe da Constança faleceu e ela ainda hoje se sente culpada por não ter conseguido cumprir a promessa que lhe tinha feito. Por isso, a lição a reter é que não faça promessa que não poderá cumprir.

Acredito que o amor conduz-nos a prometer o que mais tarde se torna difícil ou impossível de cumprir, fazendo com que quem prometeu se sinta culpabilizado e a pessoa idosa triste, desiludida e ferida por uma atitude que não esperava de um filho, por uma promessa não cumprida e por um futuro que não ambicionava.

A terceira orientação vai no sentido de que as pessoas se informem sobre os serviços sociais. Estes são importantes, pois desta forma,  as famílias podem encontrar ajuda para as suas necessidades, contudo, não se sinta frustrado pelo número de contactos que terá de fazer quando tiver de pedir informações. Tenha paciência e seja persistente. Dos seus esforços, resultará um conhecimento maior dos acessos e ajudas.

Ligue-se a um grupo de entreajuda é a quarta orientação. Por exemplo, os familiares e amigos dos doentes de Alzheimer, que têm pela frente um caminho árduo de desgaste físico e psicológico, bem podem dizer a ajuda que representa, poderem partilhar as suas interrogações e angústias com aqueles que estão irmanados no mesmo problema. Essas Associações prestam auxílio às famílias para que mantenham a força e o equilíbrio necessários à manutenção do idoso no domicílio.

A quinta e última orientação é: Ser sensível para com quem dá o apoio directo. Em primeiro lugar, é um apelo aos familiares que não dão apoio directo para que se mantenham mais sensíveis para com quem tem a principal  responsabilidade. Dirijo-me a todos os irmãos e irmãs de pessoas que prestam assistência aos pais e que estão “demasiado ocupadas” com as suas próprias vidas para dar uma ajuda e vou dar um exemplo que retrata o peso e sofrimento de quem cuida:  Há alguns anos, a vida da Violeta mudou quando a mãe adoeceu. Parou com todos os seus planos e aos poucos, foi deixando de visitar amigos, de fazer serviço voluntário, de ter uma vida social, de frequentar a escola nocturna e de passar tempo com o marido. O seu tempo livre serve para levar os pais aos médicos e prestar-lhes a assistência de que necessitam e não se arrepende. Os seus pais são pessoas maravilhosas e Violeta considera ser um privilégio poder cuidar dos mesmos, mas fica aborrecida por sentir que os seus  irmãos não fazem absolutamente nada para a ajudar.

E é neste contexto que os familiares sabendo que outro membro da sua família está a carregar a maior parte do trabalho com o familiar idoso, deverão fazer os possíveis por aparecer e ajudar. Se estiver geograficamente longe, pense em usar parte das suas férias para cuidar dos seus pais idosos, dando à pessoa que presta o apoio directo, algum tempo livre. Ou, se vive perto, fale com essa pessoa e disponha de algumas horas por semana para ajudar.

Permito-me um conselho às pessoas que cuidam dos seus familiares idosos:

Conheçam e respeitem os seus limites para que não corram o risco de ficarem esgotados, doentes, deprimidos e exaustos, pois nesse estado não podem ser úteis a ninguém; Arranjem tempo para vós e procurem formas de cuidar do corpo e do espírito.

Termino esta crónica com um pensamento de Benjamin Franklin que diz: “ Quando somos bons para os outros, somos ainda melhores para nós.”

Rosário Pimentel

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