“Essa Palavra Liberdade”, o novo livro de Luís Reis Torgal

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Luís Reis Torgal, historiador e professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Coimbra

É uma palavra nobre, polissémica e ambígua» que inspirou e orientou o historiador e deu o mote à sua mais recente obra, “Essa palavra liberdade…”, que chegou às livrarias no dia 24. Um trabalho da autoria de Luís Reis Torgal, professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que representa o regresso a uma temática que lhe é particularmente cara. «A palavra liberdade surge em 1820, com a primeira revolução liberal, que dá origem à primeira Constituição», faz notar, assumindo que a sua «ambiguidade» e afirmação como «conteúdo político e moral», foram argumentos que o levaram a regressar a este tema.

Manuel Ventura – Diário de Coimbra

Usada pela esquerda, pela direita e pelos novos partidos, a palavra liberdade motiva a reflexão, quer no passado, quer no presente. «O conceito é discutido pelos próprios liberais», afirma, exemplificando com Borges Carneiro que, nas Cortes Constituintes, coloca o problema por diversas vezes, designadamente em matéria de instrução pública.

O historiador chama a atenção para as nuances da palavra. «A defesa da liberdade económica tem, no seu início, a intenção do desenvolvimento», refere, destacando que o conceito «tanto foi defendido pelos liberais como pelos contra-revolucionários, anti-liberais», muito antes de ser conotada com «a defesa de interesse privados».

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Obra “Essa palavra liberdade…” tem a chancela do Círculo de Leitores e prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins

Reis Torgal destaca outro exemplo, protagonizado pelo grupo Divodignos, «que se supõe pertencia à Carbonária». Quando D. Miguel subiu ao poder, o grupo enviou uma embaixada a Lisboa para saudar o rei. Numa situação que «nun – ca ficou esclarecida», «morreram dois lentes da Universidade», ao pé de Condeixa, que se «encontram sepultados na igreja de Ega». Os restantes elementos, todos estudantes, «foram executados», em Lisboa, em Junho de 1828, a mando de D. Miguel, num processo «exemplar», de afirmação de poder, «de afirmação do rei absoluto». Uma situação que mobilizou os «liberais exilados», que argumentavam com a «ilegalidade» da situação, pelo facto de os «estudantes terem menos de 25 anos», a maioridade, na época. Fazendo uma distinção entre a reflexão do historiador e a «reflexão do cidadão», Reis Torgal considera que o conceito é hoje ainda «mais complicado». «Usa-se e abusa-se» da palavra, diz, fazendo notar que «se perdeu a riqueza do conceito da social-democracia», que tem como suporte os valores da «liberdade», da «igualdade» e da «fraternidade». Hoje, a liberdade é «uma espécie de fim, sem ter consigo outros conceitos», advoga.

As comemorações do bicentenário da revolução liberal, previstas para o ano transacto, com a organização de um colóquio (adiado para o final do ano) de cuja comissão científica Luís Reis Torgal faz parte, foi outro dos argumentos para o historiador avançar com a obra. Mas, assume, há também uma «questão pessoal», que se prende com a aposentação da investigadora Isabel Vargas, com quem trabalhou directamente. A actualidade do tema, transversal aos tempos, e a vontade de trazer à reflexão, de novo, esta temática, pesaram na decisão de publicar “Essa Palavra Liberdade…”. Uma obra com a chancela do Círculo de Leitores e prefácio de Guilherme d’ Oliveira Martins.

Novo projecto de investigação em curso

O historiador Luís Reis Torgal está a trabalhar num novo projecto. Uma investigação que, confessa, começou «no final do século passado», no quadro da orientação de seminários, na Faculdade de Letras, que se prende com a «vigilância policial da PIDE em relação aos intelectuais». Em causa estão, refere, «alguns professores da Universidade de Coimbra, mas também outras figuras de proa, como Ferreira de Castro, Sttau Monteiro, Miguel Torga, Fernando Namora, Aquilino Ribeiro ou Tomás da Fonseca. São 10 capítulos, correspondentes a 10 estudos, da autoria de vários investigadores.

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