Na minha juventude
Quando a vida era bela de livre
E nunca lhe sobrava a boa da inquietude
Vínhamos ao Vimieiro, no Verão
Refrescar os corpos ardentes de reluzentes
E encontrá-las -a elas- escondidas na roupa muita, de então
Mandriávamos lá em cima
Na Quinta de Vale do Bode
Estaados que ficávamos de as catrapiscar
E de fazer tudo, menos estudar
E de sermos meninos bem comportados…

!…O Vimieiro era mais um sítio do Rio Alva…!

Tinha roda de moer
Tinha fresco de morrer
Tinha casas de viver
As trutas saltavam soltas
As bogas andavam às voltas
Os ruivacos a aprender

Hoje, na minha amplitude de vida, a sonhar
Reencontrei o Vimieiro
Bonito, bonito, pá
Com acesso de auto-estrada
Com a represa bem tratada
Com a roda bem conservada
Com as casas remodeladas pra alugar

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É uma Praia Fluvial medalhada
Bem pensada: bem tratada
Que concorre com outras da nossa perdição
Local de peregrinação de banhistas
E de Aristas
E de motociclistas
E de outros turistas com cor de salmão, ao sol

Está na moda
… E no nosso orgulho colectivo!

Luís Pais Amante
Telheiras Residence

Em memória do meu Amigo de infância Jorge Leitão

Foto de capa obtida AQUI

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5 COMENTÁRIOS

  1. Que bonito poema! Que homenagem tão intensa na partilha de espaço e vivência. Adorei. Muito obrigada pela sua partilha, Dr. Luís Amante.

  2. Que bom nomear poeticamente recordações
    que foram compartilhadas com uma amizade muito especial. Gostei muito de viajar nas palavras de seu poema.

  3. Teus belos versos, caro Luís, parecem flashes de momentos da minha adolescência passados nas copiosas e refrescantes ribeiras de São Domingos, na maior ilha cabo-verdiana. Aí, nós, os rapazes, e algumas miúdas mais afoitas, refrescávamos nossos “corpos ardentes” na gostosa água, sob os olhares discretos
    de outras beldades “escondidas na roupa muita, de então”. Um abraço.

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