As palavras que descem da Serra: A Vida Secreta das Abelhas, de Sue Monk Kid

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O Verão chegou. Esta semana a sua força fez-se sentir aqui na Serra. Chegou com um calor, que, por ser de Verão, apelidamos de estival. Fica sempre bem, um nome composto (ou compostinho…) e “calor estival” soa muito melhor do que apenas “calor”. Este último parece apenas um acontecimento climatérico, sem magia, sem brilho, sem personalidade. Já o “calor estival” leva-nos nos seus braços até onde a mente queira ir. A mim lembra-me sempre noites quentes e boa conversa num terraço, cerveja fresca e amigos alegres, piqueniques, praia, sestas, tardes de barriga para o ar num campo qualquer a ouvir os insectos…

Hoje ao almoço, um de verão no terraço da Quina, que só quem já por lá passou sabe do que falo, no meio da descontração de que sempre por ali se disfruta uma cigarra resolve vir fazer uma serenata, não ao luar mas ao sol. Foi uma não melodia poderosa que nos fez prestar atenção e por ela me lembrei de Sue Monk Kid. Os insectos estão a ser muito maltratados por nós Homo sapiens, tão mal que cada vez o seu zumbido é mais apagado, a maior parte do tempo é inaudível ou não existe mesmo. As consequências hão-de chegar…

Por agora, e porque é Verão, deixo-vos com “A Vida Secreta das Abelhas” de Sue Monk Kid.

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A Vida Secreta das Abelhas

“Na casa do mel, levantei a almofada para verificar se a foto de minha mãe e a imagem da Virgem Negra lá estavam como eu as tinha deixado. Fosse ou não dia de festa, naquela noite tinha de saber a verdade da boca de August. Esse

pensamento provocou-me um calafrio. Sentei-me na cama de campanha e senti as coisas a acumularem-se dentro de mim, a oprimirem-me o peito.”

SINOPSE

A acção de “A Vida Secreta das Abelhas” desenrola-se nos anos 60 na Carolina do Sul. Neste estado os confrontos raciais ainda são muito fortes. Ao longo desta obra ficamos a conhecer um pouco da segregação racial que se sentiu nos Estados Unidos.

Lily é uma adolescente de 14 anos que pensa ter assassinado a sua mãe quando tinha apenas 4 anos. Toda a vida cresce com este trauma sem que o pai autoritário e mal formado faça qualquer coisa para desmontar a situação. Os conflitos com o pai são diários e de uma violência brutal, de tal forma que a jovem sonha livrar-se do jugo.

Pontualmente consegue-o durante a noite quando se evade para o pomar onde tem escondidas as poucas coisas que conseguiu guardar da mãe – umas luvas, uma foto e uma imagem de uma Virgem Negra. Trata-se de uma jovem muito sensível que pensa ser pouco inteligente e dessa forma vê o seu futuro muito limitado. Tem uma única amiga – a negra Rosaleen que a criou. Quando a sua amiga é agredida e presa por querer exercer o seu recém-adquirido direito de voto ambas acabam por empreender uma fuga em direcção ao passado que vai permitir a Lily encontrar a família que nunca teve e assim construir um presente.

A história é contada com um sentido de humor que converte situações de extrema tensão em momentos mais leves e as situações hilariantes são muito frequentes. Toda a obra é um hino ao amor nas suas mais variadas formas.

Boa semana com livros!!!

Anabela Bragança

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