Antes de qualquer outra coisa, dizer que me aproveitei (despudoradamente) do slogan de campanha da candidatura de Álvaro Coimbra à Câmara Municipal de Penacova para título deste texto. Espero que me desculpem o atrevimento. Mas acontece que é essa, precisamente, a palavra de ordem mais necessária nestes tempos que se avizinham. Atrevimento. Coragem para mudar, portanto. Não poderiam ter escolhido melhor, daí tê-las tomado como minhas. E claro que não falo de coragem física para dizer em voz alta o que se pensa. Era o que faltava! Não é dessa que se trata, apesar das tristes (e ridículas) derivas de limitação da liberdade de expressão no concelho. Falo sim da coragem para trocar as benesses, os ‘foguetes’ e as quermesses pelo desenvolvimento da nossa terra. Sim, não se iludam. Penacova está a regredir (assustadoramente) na maioria dos indicadores que verdadeiramente importam. Estamos a ficar para trás. Muito para trás. Poderia enumerar, literalmente, dezenas deles que nos deixariam com os cabelos em pé, de queixo caído e com os olhos espetados pela triste descarga. Mas fixo-me em dois deles, por estarem mais ‘frescos’. Temos perdido população, por exemplo, a um ritmo assustador. Um ritmo muito superior à média nacional nos últimos dez anos e nunca experimentado durante o Portugal democrático. Estamos na cauda do nosso distrito e só nos comparamos agora com concelhos raianos, onde a interioridade é um verdadeiro e eterno entrave. No envelhecimento, o cenário é ainda mais preocupante. A população idosa já quase atinge o triplo do grupo etário dos jovens. É isso mesmo! Por cada jovem, há cerca de três idosos no nosso concelho. Estamos, nessa matéria, ao nível do interior transmontano e alentejano. Sim, estamos a definhar. Ou a morrer, para não ter medo das palavras. Mas como é isto possível? Por que não fixamos nem atraímos gente? Como explicar tamanho trambolhão até à cauda do desenvolvimento distrital, miseravelmente a par dos mais atrasados municípios deste país? Com tantos milhões orçamentados e (muito mal) aplicados nos últimos anos, tanto dinheiro público ‘torrado’, ao ponto de termos colocado as contas municipais num vermelho tão carregado? Como chegámos nós a esta miséria enfeitada? Como nos fomos deixando levar nesta lenta agonia e nesta triste cantiga, muitos de nós julgando que algo estava ser feito para nosso efetivo benefício?

Pois bem, a resposta está no grande embuste que tem sido a gestão dos nossos destinos. Uma máquina criada para distribuir, para colocar, para controlar, para iludir, para segurar o poder, mas quase nunca para fazer o que é preciso. A única medalha que podem apresentar (sublinho que é mesmo a única) em doze anos (!) com verdadeiro e estruturante impacto no desenvolvimento do concelho (da vila sede, para ser mais correto) é a reversão da extinção da nossa comarca. Muito pouco para tanto tempo e tanto dinheiro. Mais de 140 milhões de euros gastos nos três mandatos!

A gestão socialista dos últimos doze anos vai deixar marcas físicas que dificilmente serão revertidas, verdadeiros elefantes brancos, como a obra que fizeram no ‘Largo do Terreiro’, junto aos Paços do Concelho. Mas as marcas mais complicadas (feridas profundas) prendem-se com o que (danosamente) não foi feito em todo este tempo, enquanto cantávamos mais do que a melhor e mais bem afinada orquestra de cigarras. Anúncios, festas, luzes. E mais anúncios, fotografias (muitas fotografias), publicações e mais publicações…, num permanente rodízio de propaganda, acompanhado de uma (bem oleada, reconheço) capacidade de infiltração nas associações do concelho, das mais simples e menos representativas às mais importantes e relevantes. Eles chegaram a todo o lado e estão mesmo em todo o lado, sentindo-se, realmente, os donos disto tudo. Tudo parasitando, tudo paralisando. Daí eu voltar ao início e ao título deste texto. É de coragem que se trata e a oportunidade é única. Estamos naquilo que se costuma designar por mudança de ciclo político. É hora, portanto, de convergir esforços para acabar com este atraso de vida. Aproveitemos o contexto para confiarmos os destinos da nossa terra a alguém que se preparou bem (como ninguém) para aproveitar o nosso dinheiro (e o europeu que está a chegar) para trazemos verdadeira qualidade de vida aos nossos. Eu assim o farei. Votarei em Álvaro Coimbra, apesar do partido que o apoia estar nos meus antípodas ideológicos. Sou comunista, como muitos saberão. Deixei de ser militante no dia em que o PCP se aliou ao PS para levar António Costa ao poder, depois de uma derrota nas urnas, há seis anos. Mas continuo comunista, apesar de amuado. Será neles que votarei, convictamente, nas próximas eleições legislativas. Sublinho-o para que se entenda bem a limpidez da minha posição e a pureza das minhas intenções. Votarei no Álvaro, sim. Também por que, como diz o povo na sua crónica sabedoria, ‘nas câmaras municipais o que interessa é a pessoa e não o partido’. E convenhamos, a última questão ideológica que ainda resta na gestão autárquica é a água. E essa, voltará (certo, Álvaro?) ao controlo municipal. O resto é competência e vontade de servir e não de se servir. E o Álvaro é desses. Vai para trabalhar por nós. Sente o concelho onde mora. Não precisa dele para sobreviver.

E sim, é claro que também votarei nele por que o conheço, por lhe ser próximo, se preferirem. Mas vejo nisso uma vantagem. Sei de quem estou a falar. Sei que é o candidato certo, na hora certa.

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Vá Álvaro, muda lá isto. Pelos meus filhos. Por nós.

José António Duarte

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1 COMENTÁRIO

  1. Concordo plenamente consigo, dr. José António Duarte.
    Que Penacova tenha quem faça algo por ela.
    Que as promessas que nos façam não sejam assinadas em papel molhado.
    Que os empregos dos nossos jovens não fiquem no lado de dentro da porta da Câmara Municipal!
    Lugar a outra equipa, precisa- se.
    Confiamos em si, dr. ALVARO.
    Eu e muita gente!

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