Apresentamos hoje uma personalidade penacovense muito peculiar. Além de professor durante muitos anos em Lorvão, nos finais do séc. XIX, e de ter tido uma intervenção cívica assinalável, foi também um autêntico “homem dos sete ofícios”. Ainda hoje podemos apreciar em Paradela a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, uma das suas obras enquanto escultor.

Manuel Joaquim da Silva nasceu em Paradela, freguesia de Lorvão, a 28 de Agosto de 1843 e faleceu no mesmo lugar a 8 Setembro de 1935.  Era filho de Ludovina Maria, solteira, que também era natural desta terra lorvanense. 

Tirou o Curso de Professor Primário e, quando leccionava em Lorvão, no dia 28 de Abril de 1877, casou com Maria Esperança, natural da Rebordosa, filha de António Correia e de Joana Maria. Dos cinco filhos do novo casal, destacaram-se Manuel Correia da Silva (casou em 1908 com Maria do Céu Sousa Leitão, filha do Dr. Alberto Leitão) que foi farmacêutico e António Correia da Silva, que chegou a ser administrador do concelho de Penacova, tendo pedido a demissão poucos dias depois da implantação da República (havia casado precisamente a 5 de Outubro de 1910). Foi proprietário e sócio da firma M. Ferreira & C.ª

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O prof. Manuel Joaquim da Silva foi um “homem dos sete ofícios”: além de mestre escola, foi escultor, santeiro, carpinteiro, marceneiro, pedreiro, sapateiro, “endireita”, enfermeiro… 

Empenhado socialmente e interessado pelas questões culturais foi ele que em 1890 escolheu o retábulo do Mosteiro de Lorvão, cedido pelo Governo para a povoação da Aveleira. O caso não foi pacífico e em 1898, aquando da retirada à força dos retábulos do Mosteiro de Lorvão que o Governo havia cedido a Aveleira, Carvoeira e Montemor o Velho (envolvendo tropas do Regimento de Infantaria de Viseu), apesar de não ter sido interveniente directo, escreveu um extenso documento sobre este facto. 

Terá sido republicano, em tempos da monarquia, dado que há notícia de ter participado numa reunião republicana em Penacova no ano de 1895. 

Em 1900 escreveu uma segunda carta dirigida ao Rei a pedir uma estrada para Lorvão. Como sabemos, só em 1911, com o apoio de Evaristo Lopes Guimarães, se concretizou o primeiro acesso transitável, via Sernelha.

Durante muitos anos foi secretário da Confraria dos Leigos e, por sua iniciativa, criaram-se alguns cemitérios na freguesia de Lorvão. Em 1903, com o médico municipal Rodolfo Pedro da Silva, escolheu o terreno para o cemitério de Chelo. Já, anos antes, havia escolhido terrenos para cemitérios noutras localidades, bem como o terreno para a Capela da Aveleira.

Autor da imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem em Paradela. No dia 7 de Novembro de 1915 realizou-se uma procissão com a imagem, desde a sua casa até à Capela. Em 1931 ainda colaborou com a Junta de Freguesia na obra da Fonte que tinha pia e duas bicas. Ainda nesse ano, foi ele que fez o arco da sineta da Capela e no ano seguinte concluiu o confessionário.

Professor em Lorvão durante muitos anos, como se disse, aposentou-se em 1904. 

Quando faleceu em 1935, o jornal Notícias de Penacova salientou que o funeral, para o cemitério de Paradela, fora uma “verdadeira manifestação de pesar”, dado que se tratava de uma “alma bondosa” que “durante toda a sua vida só pensou em fazer bem” pelo que não só o lugar de Paradela, mas toda a freguesia, “muito sentiu a sua morte.”

David Gonçalves de Almeida

 

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