Quatro irmãos vivos com idades entre 90 e 100 anos… e dois ainda conduzem

Eram oito irmãos, todos nascidos no primeiro terço do século XX. Dois faleceram ainda bebés, mas todos os outros viveram até depois dos 90 anos de idade.

António Rosado – Diário As Beiras

São quatro irmãos vivos com idades entre 90 e 100 anos. Um extraordinário caso de longevidade familiar de que a localidade de Cheira, às portas de Penacova, se orgulha.

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Adelaide Flórido é a irmã centenária da família, com aniversário assinalado no passado 7 de março. Seguem-se os irmãos mais novos: Casimiro, de 98 anos; Manuel, de 94 anos; e Lucília, de 90 anos.

Outros dois irmãos da família Nogueira Flórido atingiram, respetivamente, as idades de 103 anos e 94 anos, tendo falecido em 2012 e 2018. Este último viveu cerca de sete décadas amputado de uma perna, vítima de um acidente numa pedreira da antiga empresa Elétrica das Beiras, ocorrido pouco depois do fim da 2.ª Guerra Mundial.

É Manuel que recorda as agruras e as alegrias da sua vida e da dos irmãos, dando graças a Deus pela irmã Lucília, nascida em 1931, ter sobrevivido ao trágico acidente ferroviário de Alcafache, distrito de Viseu, em 11 de setembro de 1985.

Manuel assume-se como uma autêntica memória viva, com todas as datas e nomes – de nascimento, casamento e falecimento de família – na ponta da língua, sem hesitações e com resposta pronta à reportagem do jornal, que o foi encontrar em trabalhos de limpeza de mato num terreno de grande inclinação de que é proprietário na Cheira.

É ali que vive com a mulher – Maria Elisa, de 92 anos – numa humilde casa de piso térreo, embora ao lado tenha construído um prédio de quatro apartamentos que destinou aos quatro fi lhos. Todavia, nenhum deles ali habita, tendo optado por fazer vida noutras paragens, aquém ou além fronteiras.

Ele próprio foi emigrante em Paris, depois de ter trabalhado na Elétrica das Beiras, onde grande parte dos irmãos também arranjou emprego ao longo de vários anos.

Uma vida de trabalho em Portugal e França

Para além disse, confessase “sempre lavrador, mas também pedreiro e carpinteiro em França durante 18 anos”, mas isso já se perde na bruma do tempo. É que já regressou a Portugal há quatro décadas, passando a viver da reforma e dos parcos rendimentos resultantes do pouco património acumulado.

Só fez o exame da 2.ª classe e passou parte da vida sem saber ler, nem escrever. Mesmo assim não teve dificuldade em aprender a falar em francês quando teve de emigrar. Também foi nessa fase da vida que aprendeu a ler português, para descodificar as cartas que a mulher lhe enviava de Portugal, acabando por conseguir, assim, a aprovação da carta de veículos ligeiros.

De carro até ao centro de saúde e ao barbeiro

Foi em boa hora porque conquistou maior autonomia de deslocações, mantendo ainda a licença de condução, o que lhe permitiu continuar a guiar o seu Ford Fiesta de 1993 até o centro de saúde, para as consultas médicas, e ao barbeiro, como aconteceu algumas vezes no último mês de agosto. Acredita que vai conseguir revalidar a licença de condução no final do corrente ano, mas já se mostra mais cético sobre se o seu irmão Casimiro, de 98 anos, terá a mesma sorte dentro de quatro meses.

 

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