O Romance histórico é uma das minhas paixões literárias. O facto de ter suporte em factos reais documentados assume-se-me como uma mais-valia. Peguei neste livro por desconhecer completamente a autora. Apresenta uma visão de D. Dinis e da Rainha Santa diferente da costumeira. Este D. Dinis é um homem muito inteligente, um rei com elevado sentido de justiça para nobres e plebeus ( o que lhe granjeou muitos inimigos entre os nobres…) um poeta de valor o que sempre aborreceu a rainha, um bravo de temperamento capaz de explosões de fazer tremer o ar. A Rainha Santa é uma santarrona empedernida, bondosa, claro, mas cega para tudo o que envolva as tropelias do seu filho adulto que não quer crescer. Alimenta o ódio mesquinho em relação aos irmãos bastardos do filho (o que tem muito pouco de santo…) sendo um entrave ao bom relacionamento entre pai e filho. O reinado de D. Dinis (O Lavrador) foi longo, 46 anos. Começou por “por na ordem “ uma nobreza abusiva do povo e do próprio Rei por não respeitar devidamente a propriedade. Conseguiu estabelecer a “paz” entre a Santa Sé e Portugal que ainda não tinha sido firmada desde que D. Afonso Henriques se autoproclamou Rei.

Tinha ideias avançadas em termos de desenvolvimento económico, mas faltava-lhe o suporte monetário para impulsionar as suas ideias. De um momento para o outro passou a fazer obras grandiosas e caras. O legado que deixou ao seu sucessor, o filho Afonso IV, foi valioso.

Maria Antonieta Costa pega nos testamentos de D. Dinis para nos levar numa caça ao tesouro.

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É um romance muito leve, provavelmente leve demais. As personagens são pouco fundamentadas, falta-lhes consistência, falta realidade… Algumas existem apenas para semear alguma confusão na cabeça do leitor. O romance é escrito a duas mãos, uma em analepse, durante o reinado de D. Dinis, a partir de outubro de 1307 até à sua morte em 1325. O presente envolve uma professora de História do ensino básico e secundário com paixão pela investigação que não consegue lugar numa universidade. Com alguma frequência é chamada por um antigo professor seu para analisar documentos. A doutora Eunice é acompanhada pelo marido, que roubou ao serviço de Deus durante uma investigação que levou a cabo no Vaticano. O tom do texto oscila entre o romance histórico e o policial, sendo pouco intenso em qualquer dos registos. Contudo e, provavelmente, por ser leitura simples e fácil continua a valer a pena ler.

Maria Antonieta Costa

A Herança de D. Dinis

“Conhecendo o mundo académico deveria ter previsto que cobiçaria o meu achado. Ah! A inveja científica! Esse sentimento corrosivo que podia arruinar a vida tanto de quem o experimentava como de quem era o seu objecto.”

Sinopse

D Dinis debate-se com sérios problemas económicos, face a todos os projectos que tem para lançar a economia e fazer obras estruturais. Em França Filipe IV, o Belo (mas gastador …) movimenta toda a sua influência sobre a Igreja, deslocando a santa Sé para Avinhão e colocando lá um Papa que possa manipular facilmente. Ao aperceber-se da imensa fortuna dos cavaleiros Templários decide exterminá-los para assim deitar mão ao seu pecúlio. Em Portugal D. Dinis negoceia com a ordem. Recebe o seu tesouro em troca de não acatar as ordens de perseguição impostas pelo Papa. Assim fica rico e ainda mais solitário, pois não pode contar o seu segredo a ninguém. As suas querelas com o filho e a mulher vão de mal a pior, sem que a Rainha Santa seja capaz de trazer paz à sua família, tais os ciúmes que tem das barregãs do rei e dos seus bastardos.

No presente a Doutora Eunice e o seu marido Mateo vão responder a um pedido do Professor Henrique que os vai levar numa busca ao tesouro escondido de D. Dinis. Pelo meio descobrem que o mundo da ciência está cheio de indesejáveis sem princípios e sem valores capazes das maiores atrocidades apenas para saciarem a sua ganância.

Boa semana com livros!!!

Anabela Bragança

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