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Ucrânia ou UKraiyna é um Estado Nação
Quer as gentes medíocres (e arcaicas) queiram, quer não
São 42 milhões
Se tossirem todos ao mesmo tempo
Farão estremecer os “ladrões”
Não tem sido fácil ao seu Povo
Fazer passar a imagem de que já não é zona de fronteira
Mas, naturalmente:
É a eira do mundo, sim
É área de solo rico, também
É território apetecido, claro
E, por tudo isso, é fruto pra jogadas sem fim
Durante esta noite e a anterior
Não dormi
Nem deixei de pensar “nos meus amigos do Dniepre”
Dos meus Trabalhadores enriquecidos
Na arte do bem fazer
Do bem saber reconhecer
Dos lutadores pela Paz
Dos que anseiam Liberdade
Num mundo só de Amizade
… e chorei!
Por eles que estão desiludidos
Connosco do Ocidente
Pelos seus filhos que estão a ficar perdidos
Pelos seus familiares
Que já estão a ficar sem lares
As bombas da mente senil
Já se abatem sobre o território
Os soldados do desprezo
Já só vêem no funil
Da farda da ocupação
Do tanque que está à mão
Manchada de sangue
Carregadas de anseios de traição
Kiev já está a arder
O seu solo a tremer
As crianças sem adormecer
Tristes os que se pensam donos do mundo
Alienados os que se deixam ser seus produtos
Força para o Povo Ucraniano
Verticalidade na manutenção do seu ânimo
Sem esquecer
Que sendo a sua nação o “lar da domesticação dos cavalos”
Não o será das Pessoas
… porque essas gritam: Não!

Luís Pais Amante

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8 COMENTÁRIOS

  1. Quando li Chovem bombas na Ucrânia fiquei ao mesmo tempo surpreso e muito emocionado. Surpreso porque não é tão comum lermos poemas voltados para
    cenários de violência. Emocionado… pela empatia e solidariedade que este poeta penacovense presta a um povo inteiro que passa inusitadamente por um abismo de terror que aumenta a cada hora que passa onde esperança momentânea e desespero se sucedem. Seu poema além de acreditar na força do amor e sacrifício pelo país a que se pertence também fez-me lembrar da esperança que meu pai nascido na Ucrânia carregou a vida inteira, até seu falecimento em 1980, mesmo sem ver sua pátria livre o que só aconteceria em 1991.

    • Queridos Amigos, também da nossa terra Penacova,
      Este poema saiu, naturalmente, no momento em que vi o caudal da ofensiva de uma dita “potência” contra todo um Povo que ainda não conseguiu dar descanso a uma única geração inteira…
      Lembrei-me do teu Pai e do teu Livro (Girassol e Edelweiss – uma história à beira do esquecimento), no qual me deste o prazer de escrever, também, quando afirmas “0 maior pesadelo de um refugiado ferido pela dor é tornar-se exilado de si mesmo.
      Também me lembrei do teu relato recente -e com exaltação- quando visitaste os teus familiares.
      Vai passar…

  2. Embora a guerra seja um tema ousado para fazer poesia, nas circunstâncias atuais não podia fazer mais sentido e parabéns ao autor por esta enorme demonstração de solidariedade. Basta da prosa utilizada como diálogo hipocrita para um entendimento geopolítico, em que apenas o que conta é o poder de domínio territorial e jogo de influências de narcisismos de política retrógrada em que quem sofre no geral é o planeta e em particular os cidadãos que têm todo o direito à sua autodeterminação e democracia. Basta do mundo permitir acordos de paz com pistolas apontadas à cabeça em jogos de roleta russa forçada.

  3. Obrigado Luís pela sua resposta ao que escrevi. Esta sua atitude de responder tão
    prontamente é mais uma demonstração de solidariedade a esse filho de ucraniano, que sou eu, e que se sente confortado pelo seu apreço e consideração. Posso dizer que isso me fez sentir abraçado como aconteceu com o jogador ucraniano do Benfica. Obrigado Luís. Obrigado querido Portugal!
    E obrigado Penacova!

  4. Excelente este poema de Luís Amante que, numa época lá atrás, conheci nas páginas do Movimento Joaninha.
    Um abraço solidário ao povo Ucraniano que, dá ao Mundo, uma enorme lição.
    Um abraço Joaninho da Isa 🐞🐞🐞

  5. Meus parabéns ao meu amigo Dr. Luís, sobre esse poema, a sua solidariedade ao Povo Ucraniano.
    Meu abraço aos Ucranianos.
    Abraços
    Mahomed

  6. Caríssimo Dr. Luís Pais Amante,
    Neste momento tão difícil e conturbado, as suas palavras são um abraço alargado aos nossos concidadãos Ucranianos.
    As vozes da liberdade e da paz erguem-se, sim!
    Mas será preciso mais do que as nossas vozes para salvar vidas!
    Oxalá não se demorem…

  7. Por vezes, a indignação e o choque têm tal intensidade que nos faltam as palavras para verbalizar e transmitir o tumulto que nos vai na alma face á temática tenebrosa que invadiu o nosso quotidiano desde há uma semana.

    Estou em crer que a grande generalidade de nós assim o sente.

    Felizmente que algumas pessoas, pela poesia, conseguem exprimir esse tumulto interior que colectivamente nos assalta e que, claro, também partilham e vivenciam connosco.

    Diz-se que os poetas têm lentes especiais para analisar a realidade e assim encontrarem as palavras adequadas para a relatar, em todas as suas dimensões. E o Luís Amante é um desses felizardos.

    Mas felizardos também somos nós que temos a sorte de o ter nas nossas vidas a compartilhar e a dizer a nossa comum visão da realidade através da sua “magia” linguística.

    Nesta hora difícil para todo o povo ucraniano, para a Ucrânia e – porque não? – para o Mundo, temos que parar para pensar como tudo isto foi possível. Isto sem embargo de desde logo reagirmos, auxiliando e acolhendo quem sofre as consequências desta inqualificável ofensiva que atinge a Ucrânia, fazendo o melhor possível.

    Muito poderia ser dito, aqui e agora, sobre esta temática, pois não podemos demitir-nos de pensar e de afirmar o nosso apego pela liberdade de autodeterminação dos povos, governados por dirigentes por si livremente escolhidos em eleições democráticas e que sejam capazes de respeitar as relações de vizinhança com outros povos com quem partilhem fronteiras.

    Mas termino, permitindo-me parafrasear um pequeno excerto das “Catilinárias” de Cícero: Quousque tandem abutere, Putin, patientia nostra? (Até quando abusarás, Putin, da nossa paciência?)

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