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Saudade Lopes

E porque já ando por aí há muitos anos, a conviver e a colaborar com as festas do Município, gostaria de escrever algumas palavras que sintonizem momentos passados e presentes, que ajudaram a tornar os eventos com mais dignidade.

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As primeiras tasquinhas de gastronomia a integrarem as festas do Município, a servirem pratos tradicionais aos visitantes, foram: o antigo Centro de Acolhimento e o Centro Social de Miro, duas Instituições que fizeram um brilharete de comes e bebes, a funcionarem junto ao antigo tribunal e sempre com mesas e cadeiras repletas, num restaurante provisório e improvisado. Duas equipas de trabalho e de ordem, a darem o rosto pela gastronomia e pelo bem-estar dos visitantes. Gratidão ao Sr. Manuel de Miro, bem como todos aqueles que contribuíram para sermos um sinal “Mais”.

À época eram mini festas, adaptadas às circunstâncias e ao pouco dinamismo e criatividade no centro da Vila. Porque, até nas festas, Penacova estava a precisar de uma mudança, aí vão elas a caminho do recinto do parque verde, deixando para trás ainda mais um vazio de gente e de esperança, junto aos Paços do Concelho. No entanto, apesar de insatisfeita com a localização, recordo momentos sorridentes e emocionantes; um patamar natural elevado com mesas, junto à lateral dos baloiços, composto por boa gastronomia. Destaco o sabor de um franguinho, da tasquinha “café Barbosa de Telhado”; a visibilidade dada à população de Penacova, sobre a importância do voluntariado comunitário da Liga Portuguesa Contra o Cancro, com atividades e respetivo Stand; a sensação de ser “artista” num grande palco de eventos, a cantar uma das minhas canções preferidas – “a cantiga do pastor” – em conjunto com os coralistas do Divo Canto e acompanhado pela Banda Critical; dançar e aplaudir, de braços no ar, com o meu saudoso Fernando Sousa, ao som de José Cid, músico da minha geração, que me fez vibrar e voltar a ser cachopa. Estes e outros momentos foram importantes para o meu bem-estar e da minha mente, mas o meu pensamento ansiava que estas festas deveriam ter outras dimensões para o desenvolvimento de Penacova tendo a noção que as festas neste recinto espaçoso do parque verde, só por si, não alcançavam a dinâmica necessária para o enriquecimento do Centro Histórico. As noites com os bons artistas eram certamente bem aglomeradas, com pessoas que somente apreciam ouvir os artistas, com todo o respeito pelas suas opções, no entanto a realidade era nua e crua, desta forma a dimensão e a vida de Penacova iam empobrecendo. Ver um artista e comer uma boa refeição é gratificante, sim, mas é muito pouco. Saborear Penacova, em toda a sua dimensão, é muito mais do que o melhor artista do mundo.

Vai, desta forma, a minha gratidão a todos os colaboradores que se esforçaram e empenharam para que os referidos eventos fossem um sucesso, destacando o meu querido saudoso Luís Rodrigues. Como sou sonhadora, e pela maravilha que aconteceu nas festas deste ano, ambiciono um dia ver Penacova ser um ponto turístico, procurado pelo mundo. E aí teremos, com certeza, o parque verde e outros locais estratégicos em sintonia com o terreiro a oferecerem a diversão de acordo com a procura. Na minha opinião, para que isto aconteça, a estratégia deste ano revelou pontos fulcrais para Penacova, outros prazeres foram alcançados por quem quis vivenciar as festas do Município, visitar e levar Penacova no coração. Este foi certamente o lema de quem assumiu a frente do executivo. As sombras das árvores no terreiro, naqueles dias abrasadores, convidaram a presença de muitos visitantes que vieram às festas durante o dia e princípio de noite. Tive o prazer de encontrar alguns amigos que vieram respirar os bons ares, saborear as suas origens, revitalizar memórias, calcorrear as ruas esquecidas e contemplar o rio Mondego. Quanto a estacionamentos, senti a dificuldade de sempre. Em todas as participações das festas da minha terra, sejam elas em qualquer local, tenho de ir à pé ou de Casal Boss. As acessibilidades foram sempre difíceis, mas para habitar numa terra bonita tenho de enfrentar estes constrangimentos. Vi a Vila a cantar e a sorrir, cheia de brilho nos olhos de quem teve as portas do seu comércio abertas durante dia e noite. Foi muito gratificante, também, para a Comunidade Ucrânia, que teve oportunidade de mostrar a cultura do seu povo, massacrado pela dor, através de tão belos pratos que apresentaram, uma bela forma solidária para a continuidade da sua integração no concelho. Com muita alegria destaco o papel das técnicas da Câmara e IPSS, pela forma generosa como se entregaram, e entregam todos os dias, a este projeto de integração. A organização e manutenção dos espaços foram de uma minuciosidade notória e demonstraram bem a perspicácia, que só mesmo o trabalho de uma grande equipa poderia dar um excelente resultado. A limpeza do recinto e todos os equipamentos relacionados com barraquinhas da gastronomia foi feita rapidamente e com esmero. Em todos os locais se encontravam colaboradores do Município, multidisciplinares, a darem o rosto pela Entidade Empregadora. Senti todos em união e em paz.

Penacova a Acontecer em todas as vertentes, pela bela forma organizativa e criativa de Miguel Gonçalves que chegou na hora certa para revirar as pedras de baixo para cima. Deixo uma frase dita pelo próprio numa formação de HACCP: “façam o melhor que puderem e peçam o que têm de pedir, nós somos pagos para trabalhar e é isso que vamos fazer”. O meu bem-haja. E, para terminar, também o meu amigo e familiar Costa dos Palheiros, que está sempre presente e a dar o ar da sua graça, é o artista da ocasião. Sim, queremos festas com unidade entre os Penacovenses, mentes abertas, criativas, e corações de paz com opiniões diferentes e muito, mas muito Respeito pelo outro. Viva Penacova, viva quem não teve medo do risco, viva todos os povos do mundo, que estiveram connosco física ou virtualmente.

 

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