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Luís Pais Amante

O cargo de Presidente da Assembleia da República é (ou devia ser) desempenhado por pessoas que consigam distanciar-se completamente da sua vida anterior, ainda que política.

É a segunda figura da nossa República e, em determinados contextos, é mesmo a primeira
figura, sempre que se coloca o problema do impedimento do Chefe de Estado.

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!… é, pois, aconselhável, que quem lá chega a estas funções, consiga deixar à porta os seus interesses, o vedetismo e, até, o partidarismo …!

Que seja consensual, equidistante e não arrogante e conflituoso; os árbitros são bons quando não dão motivo para se falar deles.

Se recuarmos no tempo, conseguimos vislumbrar Presidentes da AR que foram dignos
exemplos deste axioma maior da nossa Democracia; pessoas de partidos diversos que não
tendo deixado se pertencer a este ou àquele Partido, elevaram a Assembleia da República,
sem se meterem em caminhos pouco dignos -como fizeram outros- que vão menorizando a
Política, afugentando as pessoas da política activa e cavando a sepultura aos próprios
Deputados, sem que eles disso se apercebam.

Não é nem será o caso de quem, em determinada altura da vida, manifestou o gosto “em
malhar na Direita”!

E que mais recentemente também gosta de malhar na esquerda!

E que, com o evoluir dos tempos, gostará mas é de malhar em nós todos…
É notório que este político traquejado, que tem vivido bem com Deus e com o Diabo, com
lugar certo em governos sucessivos, alguns de triste memória, tem ambições maiores e, por conseguinte, tudo fará para utilizar o seu cargo para chegar a um outro, mais acima…e isso é triste de mais.

E como não tem TVI, utiliza a ARTV!

O Chega é um fenómeno recente da nossa vida política que, verdadeiramente, ainda não
descobriu o caminho certo para o protagonismo populista mais lucrativo e vai apalpando o
terreno que lhe parece mais fértil.

Tem origem em extractos diversos da nossa população, que vão dos descontentes dos efeitos de alguns exercícios democráticos infelizes, aos que são efectivamente de Direita, até da mais radical, ainda saudosos de outros tempos que não voltarão.

!… Mas é um Partido legal, que merece a confiança de 400.000 portugueses e, assim sendo, deve ser combatido no local onde os outros o são, primordialmente: na discussão política e nas urnas, pelo Povo …!

Não retirando-lhe prerrogativas que o voto justifica, como a permanência numa vice-
presidência da AR, apadrinhada pelo Presidente.

Existem outros Partidos de extremos que até são tratados com vénias de maioridade
intelectual, alguns com tanto mal infligido ao nosso País, agora sem votos suficientes para
nada…

E o Chega tem ambições em crescer, num ambiente que lhe facilita a vida a nível mundial,
onde as asneiras dos democratas interesseiros, muitos corruptos, vai fazendo com que o Povo fique cada vez mais pobre, mais desiludido, mais apetente em acreditar nos esforços
populistas feitos de promessas vãs, que nunca serão cumpridas.

Ora bem,

Quando assistimos aos trejeitos de Santos Silva na AR -transmitidos na ARTV- temos
forçosamente que admitir que este exercício de “malhação” é tão interesseiro como o
exercício de “vitimizaćão” que o Chega exibe com ar de muito ofendido, sempre que ocorre
isto ou aquilo.

Santos Silva é o combustível do Chega e vice versa.

Ambos querem poder! Mais poder!

Só que o modo de o obter só penaliza a política, a democracia, a Assembleia da República e, em última análise o País…

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4 COMENTÁRIOS

  1. Caríssimo amigo,
    Li este artigo com todo o interesse pois não é habitual, nos tempos que correm, haver quem analise temas políticos com a isenção que deveria ser apanágio de quem a faz.
    Embora sem surpresa, pois lhe reconheço a independência intelectual que sempre fez e faz parte do seu carácter, não posso deixar de o felicitar pela lucidez com que expressou, com verdade, o triste espectáculo que se passa na AR.
    Esperando ter o seu acordo, vou partilhar o artigo no Facebook.
    Um abraço com votos de bom Domingo

  2. Meu ilustre Dr. Luis, infelizmente o poder fala mais alto, querem mais e mais, atropelam outros gananciosos, o povo paga muito caro, sofre, passa fome, e outras situações, perguntamos aonde está os políticos que votamos, não só corrupção e mais poder?
    Meus parabéns Dr. Luis, pelo trabalho o senhor tem feito, e não é por menos todos nós ficarmos decepcioonados.
    Meu abraço

  3. Este foi um dos melhores artigos sobre política que já li. A democracia corre perigo com o seu mau uso. É preciso que as vozes isentas não se calem e criem espaço para atingir mentes e corações.
    Parabéns, Luís!!!

  4. O partido que representa 7% (sete por cento) dos votos expressos deliberadamente tem, e mantém. uma postura provocatória que alia a impertinência, ao despudor e ao basismo intelectual mais repugnante e primitivo que se possa imaginar.

    Certamente por isso, os seus pares não votaram favoravelmente a atribuição de uma sua vice-presidência da A.R., e relembremos que apenas assiste aos partidos o direito de indicarem nomes para o preenchimento desses lugares, sendo que a nomeação dessas pessoas para semelhantes lugares tem que ser sujeita a prévia votação favorável, por voto secreto, requisito que estes não conseguiram ultrapassar.

    Por seu lado, o Presidente da A.R., local onde todo este circo acontece, procura controlar a situação, no exercício das suas funções e de acordo com a interpretação que faz do Regulamento da A.R., alertando para os eventuais desvios comportamentais dos deputados, que, no caso do tal partido, são mais que muitos.

    Porém, alguma superioridade intelectual e cultural, acaba sempre por originar, da sua parte, uma sobranceria elitista absolutamente dispensável, não só porque permite as habituais ceninhas de vitimização por parte do tal partido, como também abre as portas para certas especulações pouco abonatórias acerca do seu próprio futuro político que, de todo, lhe não serão convenientes.

    E, assim, temos um círculo vicioso onde, como bem diz o Luís Amante, “Santos Silva é o combustível do Chega e vice-versa”. Ora isto tudo não é bom para a democracia nem para o País!

    Este é um assunto “bicudo”, daqueles em que só o bom senso pode ser a solução.

    Espera-se, por isso, que quem se arroga superioridade intelectual e cultural, consiga ter bom senso e demonstre que sabe ser verdadeiramente “superior” …

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