Publicidade

De Penacova “passa sempre algo para os meus trabalhos, seja a paisagem, a arquitetura, ou a singularidade das gentes e das suas vilas e aldeias”.

Estudou em Penacova, desde o ensino básico ao secundário. Sempre com boas notas, escolheu humanidades, na perspetiva de abraçar uma carreira profissional na área.

Publicidade

Desde muito cedo que se interessa pelo cinema e um pequeno projeto, que surgiu quando frequentava o 10º ano, aliado ao entusiasmo que lhe foi incutido por alguns dos seus colegas e professores, acentuou o interesse que já mantinha pelo cinema, conseguindo, partir daí, obter uma bolsa que lhe permitiu suportar os custos de viver e estudar em Londres.

Findo o secundário, rumou até “terras de sua majestade” onde concluiu a licenciatura e mestrado em cinema “porque as oportunidades em Portugal são menos apelativas, uma vez que, para além da falta de apoio, tanto por parte do Estado, como por parte dos privados, só em Lisboa ou Porto é que se podem encontrar algumas ofertas nessa área”. Por tudo isso decidiu deixar do país para se fixar em Londres, que considera “o maior centro cinematográfico da Europa”, onde vive há já 4 anos.

Estudou na Universidade Middlesex, uma das escolas mais prestigiadas de cinema e imagem europeias, onde concluiu a formação e esteve envolvido em vários projetos premiados.

Já depois da graduação esteve envolvido em projetos independentes, um dos quais ganhou o prémio de melhor filme da National Youth Film Academy, a principal organização filantrópica para jovens do cinema, que se dedica ao apoio de novos talentos.

Como referências no mundo do cinema, revê-se no percurso do realizador Martin Scorsese e do cinematógrafo El Chorro e nos trabalhos fotográficos de Roger Deakins, todos com provas dadas no mundo da indústria cinematográfica.

Não se revê nos chamados “blockbusters”, que são grandes produções para consumo imediato das grandes massas, as quais designa como “filme de pipoca” porque são histórias “direcionadas para um público que pretende diversão instantânea e não algo que os leve a pensar para além da tela”.

Agora, com 21 anos, está no mercado de trabalho, tanto como freelancer, que é o que mais acontece na indústria cinematográfica, onde durante uma metade do ano se trabalha intensamente e na outra metade se preparam novos projetos, ou como produtor de conteúdos comercias e musicais e de gestão de redes sociais, que desenvolve na empresa “Studio Odyssey”, sedeada em Londres, que fundou com os seus colegas cineastas Michele Profeta e Eli Matnish e através da qual pretende dar “visibilidade à sua paixão de criar imagens significativas que vão acima e além das expectativas do cliente, em todos os tipos de formatos, com a mais alta qualidade, seja para o pequeno ou o grande ecrã”.

Na sua carteira de clientes já constam algumas empresas e nomes recentes da indústria cinematográfica, não muito conhecidos, é certo, mas promissores cujo “pacto de lealdade” considera como “um bónus de longevidade”, pois se os seus clientes crescerem, a sua empresa crescerá a par com eles. Salienta, aliás, que é uma realidade que só conhece em Londres, onde a colaboração artística é recíproca.

Para o jovem João Amante, regressar a Portugal não está nas suas prioridades, mas não esconde vontade de trabalhar no seu país, sempre que as oportunidades surgirem e que, por norma, estão dependentes do interesse das produtoras estrangeiras. Considera, até, “que existem inúmeras possibilidades no nosso país, já que se trata de um destino barato, com boas acessibilidades e com uma diversidade geográfica e cultural bastante rica, onde as pessoas são afáveis e manifestamente disponíveis para acolher esse tipo de projetos, mas que peca pela falta de uma cultura de apoio às artes do cinema, seja pela parte do Estado, seja pela parte da falta de mecenas, que só apostam em projetos protagonizados por equipas experientes e bem sucedidas, não gostando de arriscar em equipas que, apesar de jovens e empreendedoras, não lhes conseguem garantir um retorno fácil e garantido”.

De Penacova “passa sempre algo para os seus trabalhos, seja a paisagem, a arquitetura, ou a singularidade das gentes e das suas vilas e aldeias”.

Quando questionado sobre o futuro da sua carreira passa por Penacova, refere que “é sua vontade fazer um thriller romântico sobre Penacova, com cerca 90 minutos, com uma forte mensagem social e demográfica e mesmo económica, aproveitando todas as potencialidades que o concelho proporciona, seja a nível paisagístico, histórico ou cultural, com especial enfoque no Mosteiro de Lorvão”, que visitou há pouco e que considerou ideal para dar mote ao seu projeto.

Enaltece a afetividade das suas gentes e a beleza das suas paisagens, sem esquecer as potencialidades turísticas de um “recanto que consegue reunir em tão pouco espaço uma diversidade histórica, cultural e natural que nem toda a gente conhece”. Desde as montanhas aos rios que circundam os vales, ao Mosteiro do Lorvão, Penacova oferece um cenário perfeito para o filme que gostaria de produzir.

Já conta com uma equipa de jovens talentos, e tem tudo preparado para “dar corpo” ao projeto, só faltando mesmo angariar mais apoios para o concretizar e até já expressou essa vontade junto do município de Penacova que, de imediato, manifestou “total disponibilidade para abordar a possibilidade de apoiar logisticamente a produção”.

Da equipa destaca o talento da jovem produtora portuguesa Isabel Campos Neves, com ligações ao departamento de produção da Disney, e que já ganhou prémios com o filme The House in the Middle of the Sea, assim como o seu braço direito, o cinematógrafo Will Arcinas com quem partilha o entusiasmo pela sétima arte.

No que toca a cinema, já tem para o início deste ano agendadas duas curtas-metragens como produtor e realizador e talvez uma longa-metragem para abril. Mas a sua atividade não se esgota aí. A realização de comerciais e “promos” para empresas nacionais e internacionais, são os produtos que lhe garantem “o dinheiro tão necessário à concretização dos seus objetivos”.

Antes de partir para o Polónia, onde se encontra a gravar, como primeiro assistente de câmara, um documentário sobre a 2ª guerra mundial, a cargo de uma produtora franco-belga, numa altura em que assistimos a uma outra guerra em pleno solo europeu, deixa o apelo a todas a entidades, locais, regionais ou nacionais, para que apostem nas produções dos nosso jovens, pois só assim será possível permanecerem em Portugal e consolidarem os seus objetivos e, sobretudo, dignificar o seu trabalho, assim trazendo o esperado retorno aos investidores.

Qualquer interessado em colaborar ou apoiar este futuro projeto, pode contactar através do email studioodysseyproductions@gmail.com

 

Pedro Viseu

Publicidade

Artigo anteriorWinter Food Fest dá a provar a gastronomia da Região de Coimbra
Próximo artigoVem aí frio de rachar!

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns João!
    O meu sobrinho (como tantos outros Jovens de que tenho falado no que escrevo) está a perseguir o seu sonho noutras paragens e a fazê-lo com entusiasmo.
    O amor a Penacova subsiste e denota-se, nesta entrevista, aquele toque de humildade nostálgica que só os nossos ares nos propiciam.
    Felicidades!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui