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David Gonçalves de Almeida

Este livro, escrito por Maria de Lourdes Pereira Morgado e intitulado “Memórias de Paradela da Cortiça”, foi publicado em 2012. Trata-se de um registo importante da histórica e tradições de Paradela. São cerca de 120 páginas que nos falam da “vida sã e simples de quem nasceu, cresceu e morreu, dedicando parte de si ao torrão natal” – escreve a autora na página inicial que dedica “ao leitor”.

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Maria de Lourdes Morgado transmite-nos a sua sabedoria e grande afeição que tem por Paradela, “com as suas casas brancas e telhados vermelhos, a Igreja com a sua torre simples…” O seu olhar poético conduz-nos igualmente ao “o azul do céu” e convida-nos a contemplar “o mais belo quadro que jamais algum pintor conseguiu pintar sem ser o Criador.”

O livro aborda muitas temáticas. A título de exemplo poderíamos referir as origens e datas históricas, a situação geográfica, os monumentos, as individualidades, as autoridades da freguesia, a vida na aldeia, os casamentos, os usos e costumes, a casa abastada e a casa simples, a máquina de costura, os dias festivos, a emigração, a religião, o trabalhador rural nos anos vinte, os assalariados, a floresta, a resina, o vinho, o azeite, a broa, o mel, bem como a lenda de Paradela.

É neste livro de Lourdes Morgado que encontramos a interessante Lenda de Paradela: Paradela seria uma pequena aldeia situada num lugar chamado Casal, perto das Poeiras. Nesses tempos, o cemitério era no sítio da Cabeça dos Finados, junto à Cumeada. A dada altura, a terra foi assolada por uma grande “febre” e alguns habitantes da aldeia morreram por ela vitimados. Ali viviam três irmãos piedosos que logo se entregaram à oração, pedindo ajuda divina para tão grande calamidade. Certa noite tiveram um sonho no qual uma voz lhes disse para irem a determinado sítio onde encontrariam, escondido nuns escombros, um nicho com uma imagem. Deveriam trazer a imagem para a aldeia e aí construírem uma igreja onde a venerariam. E mais: a voz dissera também para mudarem o povoado para o lado do sol. Acordaram perturbados e aperceberam-se que todos tinham tido o mesmo sonho. No dia seguinte lá partiram seguindo o destino que em sonho lhes havia sido indicado. Ao fim de algum tempo encontraram a imagem, que era de S. Sebastião, e envoltos naquele mistério, regressaram à sua terra, “radiantes e cheios de fé”, aquela fé que “ainda hoje perdura nos paradelenses”. Mudaram a localização do povoado e, apesar de a igreja ter demorado alguns anos a ser construída, desde logo começaram a venerar a santa imagem.
Assim, S. Sebastião passou a ser o protector da aldeia. Vieram muitas epidemias, como a cólera do século XIX e a pneumónica de 1918, e Paradela sempre foi salva da “peste”, não morrendo ninguém. Também nas guerras os soldados de Paradela sempre sobreviveram aos combates e nunca sofreram qualquer mutilação. Por tudo isso “o nosso São Sebastião é bem digno da nossa devoção” – conclui Maria de Lourdes.

Notas sobre a autora

Maria de Lourdes Pereira Morgado nasceu a 12 de Fevereiro de 1928 e faleceu a 4 de Agosto de 2020. Tendo ficado órfã de mãe muito cedo, foi criada com uns tios e padrinhos, que lhe proporcionaram um Curso de Costura. Foi modista de renome, tendo confeccionado muitos vestidos de noiva para raparigas da terra e de fora dela.

Casou em 1952 com Arménio dos Santos Coimbra, natural do Zagalho. Friúmes, e na altura estabelecido no Brasil, em Belém do Pará.

Em 1955, já com dois filhos, foi viver com o marido para aquele país onde viveu até 1964. Nesse ano, aquando do golpe militar, o casal resolveu regressar a Portugal. Vivendo entre Coimbra e Paradela, Maria de Lourdes acompanhou o marido que foi industrial de táxi e de construção civil, tendo, em sociedade, construído e explorado o Aparthotel ‘Belém’ em Armação de Pera.

Maria de Lourdes Morgado e Arménio Coimbra foram um casal benemérito tendo apoiado o Centro de Convívio, a Igreja e outras iniciativas locais. Por diversas vezes foram homenageados pela população.

Ficou viúva em 2012. Ainda, um pouco antes de falecer, aos 92 anos, Maria de Lourdes Pereira Morgado foi homenageada pelas gentes de Paradela. Além de “Memórias de Paradela da Cortiça” escreveu “A minha caneta amiga”, um livrinho mais de carácter familiar.

David Gonçalves de Almeida

 

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