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Lisa Gambini

Todos temos direitos e deveres, temos direito a fazer escolhas, enquanto adultos livres, e dever de responder por essas escolhas. A ideia de evolução, per si, traduz-se na capacidade de nos atualizarmos no que diz respeito a ideias ou convicções, de progredir. E a progressão não é mais do que avançar, libertar e investir no importante: formar cidadãos conscientes, empáticos e com liberdade para fazerem as suas escolhas, respeitando os demais. 

Num mundo cada vez mais global e hiperconectado, a tolerância é uma competência cada vez importante. Esta qualidade pessoal que se define pelo respeito às ideias, crenças ou práticas dos outros, ainda que diferentes e contrárias às nossas, abre portas à diversidade e à valorização da pluralidade de visões e de formas de estar. 

Aquilo que se pede de uma sociedade é que proteja os direitos de todos, mas que fomente cidadãos capazes de tomar decisões informadas, livres e conscientes sobre si mesmo que não condicionem o respeito pelos outros. Não é por limitar e restringir, tentando uma sociedade padronizada, que se consegue um mundo melhor. É sim, por educar para o conhecimento e para o pluralismo e sensibilizar para a empatia e para o respeito por sentimentos e perspetivas diferentes. 

Mahatma Gandhi dizia “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”, e o que pode ser mais importante para uma sociedade tolerante, respeitosa e equilibrada, do que investir na formação para a cidadania, para a inclusão, para o desenvolvimento da capacidade de pensar de forma critica e necessidade de ver e pensar globalmente com abertura de mente, sempre numa cultura de paz? 

São as escolhas e as decisões que determinam a existência humana, portanto escolhas e decisões estruturadas, informadas e assertivas vão definir o rumo de cada cidadão e da sociedade. Fomentar a criatividade, o esprito critico e a capacidade de questionar é de uma importância vital para a humanidade. Contudo, parece que estamos cada vez mais assoberbados a consumir informação (ou desinformação), que pouco ou nada retemos, mas esquecemo-nos da importância de promover a capacidade de respeitar e apreciar as diferenças, através do conhecimento, compreensão mútua e convivência harmoniosa. 

A evolução da humanidade tem de passar pela capacidade de o ser humano conseguir viver em harmonia com o próximo, respeitando o espaço de cada um, aceitando a diversidade e defendendo o direito de cada um ser quem é. Parafraseando Miguel Torga “O que é pena é que neste areal da vida, onde cada um segue o seu caminho, não haja nem tolerância nem humildade para respeitar o norte que o vizinho escolheu.” 

Enquanto seres sociais, ser tolerante, independentemente do meio onde se vive, é uma ferramenta de valor inestimável para o convívio em sociedade, mas também para o nosso próprio equilíbrio enquanto pessoas. Viver em paz com quem nos rodeia, promover o respeito e a harmonia é um passo gigantesco para a civilidade. 

A tolerância é, de facto, um valor fundamental a cultivar. Não podem existir direitos humanos, pluralismo ou democracia sem tolerância. Para que o mundo se torne melhor, para que substituamos a cultura de conflito por uma cultura de paz urge implementar a cultura da tolerância. 

Todos nós temos mais em comum com o mundo do que achamos. Um mundo aberto e tolerante começa com uma mente aberta e tolerante.

Lisa Gambini 

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